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Associação de mulheres brasileiras luta contra ação de despejo da prefeita de Roma

Por RFI

Desde 1987 a Casa abriga inúmeras associações que defendem as mulheres, sobretudo migrantes e vítimas de violência de gênero. Dentre elas está a Associação Mulheres Brasileiras na Itália (ADBI), que recentemente recebeu uma ordem de despejo da prefeitura de Roma.

Rafael Belicanta, correspondente da RFI na Itália

Fixado na porta da sala 106 da Casa Internacional das Mulheres em Roma, um cartaz recorda a resistência contra a “blitz fascista” de 3 de abril. O resultado da averiguação foi uma ordem de despejo por parte da prefeitura de Roma por uma dívida de quase € 900 mil. A Associação Mulheres Brasileiras na Itália (ADBI), que integra a Casa, realiza os atendimentos justamente na sala 106. Um dos seus objetivos é ajudar na inserção no mercado de trabalho e em questões legais e psicológicas.

A baiana Rosa Mendes, fundadora e presidente da Associação, contesta a ação de despejo. Ela explica que a Casa Internacional das Mulheres é administrada por um consórcio de associações que paga um aluguel mensal de 8 mil euros pelo prédio no bairro de Trastevere. “Nós temos a nossa sede aqui e hoje nós somos ameaçadas pela prefeita de Roma, que por incrível que pareça é uma mulher, quando se pensava que tendo uma prefeita mulher as coisas poderiam ser diferentes”, afirmou Rosa à RFI.

Recentemente, junto com um grupo de mulheres, Rosa levou a causa até o Parlamento Europeu. “Fomos a Bruxelas, onde houve uma sessão no Parlamento Europeu no dia 3 de outubro e lá conseguimos que 48 deputados assinassem um documento que foi entregue à prefeita pedindo para não fechar, porque essa Casa é um patrimônio histórico do feminismo italiano, do feminismo romano. Nós não vamos sair daqui, é um espaço democrático”, afirmou.

Violência de gênero

Ao completar 22 anos de fundação, a ADBI passa por uma reformulação para reiterar a posição de referência no atendimento às mulheres brasileiras, sobretudo em Roma. Rosa comemora as tantas conquistas ao longo de duas décadas de trabalho, porém não esquece um caso que marcou a sua luta e que retrata a dura realidade das mulheres na Itália: o feminicídio. “Tem um caso que me marcou profundamente, de uma moça que desapareceu, ela tinha três filhos. Com outras pessoas da Associação fizemos uma denúncia, fomos parar num programa de TV sobre pessoas desaparecidas e um dia eu recebi uma ligação da polícia dizendo que a pessoa tinha sido encontrada", diz.

"Eu fiquei toda feliz, até o momento em que me disseram ter encontrado somente o corpo. Essa pessoa foi assassinada e jogaram o corpo dela dentro de um carro na periferia da cidade. Era uma brasileira e esse caso foi terrível para mim, inclusive entrei em crise nessa época porque pensava não ter mais condições de fazer esse trabalho. Foi uma coisa muito forte”, recordou.

Defesa das mulheres

A dor a fortaleceu e hoje Rosa segue seu trabalho de voluntariamente articular os
atendimentos às brasileiras. Os encontros mensais promovidos pela Associação são abertos e também uma oportunidade para afrontar os problemas das migrantes, explica a psicóloga capixaba Vanessa Gusmão que entrou para a Associação recentemente.

“Elas querem falar com uma brasileira. O que eu mais ouço é ‘ah, não vou falar com um italiano, já procurei mas ele não vai entender a minha dor. Ele não pode entender a minha cultura, a maneira como fomos criadas, como a gente funciona no Brasil’. A maioria diz isso”, explicou. As reuniões do “Café Literário” são um ponto de partida para muitas mulheres poderem se expressar liberamente e, com isso, identificar adversidades e poder enfrentá-las com ajuda de uma especialista.

“Elas chegam ao atendimento muitas vezes sem perceber; por meio
desse grupo muitas mulheres entram em contato dizendo que precisam conversar. Depois dos cafés também, sem elas perceberem, me procuram pedindo para falar. Elas não sabem identificar muito bem o que está incomodando, elas só sabem que tem algo que não está bem na vida delas”, afirmou a psicóloga.

Romper estereótipos

Vanessa trabalha a fundo para combater os estereótipos sobre a mulher brasileira, que muitas vezes estão na raiz de situações complicadas que impedem a integração e isolam as brasileiras. “Muitas são até proibidas de falar com os filhos em português, são desvalorizadas, e têm que fingir que são outra mulher. Isso tudo vai minando a autoestima”,destacou.

Um trabalho de autoconhecimento e empoderamento que começa entre as próprias mulheres, explicou Vanessa. “Eu tento quebrar isso desde o início, vamos romper esse padrão, que é a partir de nós mesmas que temos que quebrar. Não adianta falar que é brasileira mas não quer estar com outras brasileiras porque aí outra mulher vai falar o mesmo de mim. Não! Vamos nos unir e mostrar que nós somos um grupo forte, poderoso e que somos confiáveis. Essa é a luta dentro das próprias mulheres para mostrar qual é a importância de um grupo forte e unido”.

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