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Scotland Yard investiga suposto “antissemitismo” do Partido Trabalhista no Reino Unido

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Scotland Yard investiga “crimes de antissemitismo” no Partido Trabalhista do Reino Unido. CARL COURT / AFP

A polícia britânica anunciou nesta sexta-feira (2) que investiga supostos "delitos de ódio antissemita" no Partido Trabalhista, o principal partido de oposição do Reino Unido.


Em um comunicado oficial, a Scotland Yard afirmou que a chefe de polícia de Londres, Cressida Dick, recebeu em 4 de setembro um "dossiê que contém documentos" sobre o suposto antissemitismo no Partido Trabalhista, que teriam vazado para a rádio britânica LBC.

"Agentes especializados examinaram o conteúdo e uma investigação penal foi aberta sobre alguns comentários que aparecem nestes documentos", explicou a Scotland Yard. O dossiê sobre o Partido Trabalhista reúne 45 possíveis casos, incluindo supostas mensagens de ódio publicadas nas redes sociais por membros do partido.

"Examinamos a informação que me foi transmitida em um estúdio da rádio há dois meses. Investigamos agora sobre alguns destes casos concretos, já que infrações podem ter sido cometidas", declarou Cressida Dick nesta sexta-feira à Radio 4 da BBC. A chefe da polícia londrina destacou que o Partido Trabalhista será investigado. "Gostaríamos que as instituições e os partidos regulamentassem a si mesmos", disse.

Partido Trabalhista vai colaborar com as investigações

O partido se declarou disposto a colaborar com os investigadores. "Temos um sistema sólido para investigar as denúncias de violações do regulamento do partido", afirmou um porta-voz dos trabalhistas. "O partido está disposto a colaborar com os agentes e qualquer pessoa que se considere vítima de uma infração deve informar a polícia", completou a mesma fonte.

O Partido Trabalhista teve que lidar com acusações de antissemitismo, que mancharam a reputação de seu líder Jeremy Corbyn e levaram alguns de seus membros a abandonar a formação. O vice-presidente do partido, Tom Watson, considerou a investigação como "muito deprimente". "Infelizmente, não me surpreende", declarou.

Após sua eleição como líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, em setembro de 2015, Corbyn, defensor da causa palestina, foi tachado de antissemita. A direção suspendeu vários integrantes, que depois foram obrigados a deixar a formação, por declarações antissemitas.

Corbyn, no entanto representante da ala mais à esquerda do partido, continua sendo acusado de não atuar de maneira dura o suficiente ante os comentários antissemitas.

Polêmica

Uma decisão da direção nacional do trabalhismo ressuscitou a polêmica há alguns meses, com a aprovação de um código de conduta que adotava apenas de forma parcial a definição de "antissemitismo", elaborada pela Aliança Internacional para a Lembrança do Holocausto (IHRA).

Por exemplo, o código não considerava antissemitismo o fato de "acusar os judeus de serem mais fiéis a Israel que a seu próprio país" ou "comparar as atuais políticas de Israel com as dos nazistas". Após as críticas, o partido finalmente adotou a definição completa.

Corbyn reconheceu em agosto que o partido tinha "um problema real" de antissemitismo.