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Europa vive epidemia de febre do Nilo Ocidental; vírus já chegou no Brasil

Por Taíssa Stivanin

Centenas de casos de febre do Nilo Ocidental foram registrados desde de julho em vários países. Na França, mais de 20 pessoas foram contaminadas no sul. A vigilância da doença, transmitida pelo mosquito Culex, foi prolongada até o dia 30 de novembro.

Só neste ano, 550 pessoas foram contaminadas na Itália e 300 na Grécia. No total, 1505 casos foram detectados em todo o continente segundo o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças. A epidemia, alertam especialistas, é sem precedentes. No sul da França, onde 24 casos autóctones foram registrados, as autoridades decidiram restringir, até novembro, as doações de sangue para quem passou pelo menos uma noite em uma das seis regiões francesas afetadas.

Esta é a primeira vez que a medida, já adotada em 2015 e 2017, será mantida por um período tão longo. “É uma precaução, já que o vírus é transmitido por transfusão sanguínea ou transplante de órgãos”, explica o especialista em Saúde Publica Samer Aboukaïs, do Departamento de Vigilância e Segurança Sanitária da Agência Regional de Saúde francesa.

A epidemia da febre do Nilo Ocidental, transmitida por mosquitos que picaram pássaros contaminados, provoca em geral uma infecção assintomática. Quando a doença se manifesta, pode provocar febre, dores de cabeça e no corpo, como em uma gripe. O perigo é que, em algumas pessoas, o vírus pode causar complicações neurológicas graves. A diferença fundamental em relação à Dengue ou ao Zika é que a transmissão não ocorre entre humanos.

O vírus foi identificado pela primeira vez em Uganda, em 1937, e desde então se espalhou pelo mundo. “Há uma diferença em relação às outras arboviroses. A Dengue, o Zika e o Chikungunya, transmitidas pelo mosquito Tigre ou Aedes, possibilitam uma transmissão entre humanos”, lembra o especialista francês. O cavalo é outro animal que pode ser contaminado pelo vírus.

Quanto mais quente melhor

O verão europeu deste ano, mais longo e quente do que de costume, também contribuiu para o prolongamento da temporada dos mosquitos e principalmente do Culex, nome científico do pernilongo e hospedeiro do vírus. Esta é uma das consequências do aquecimento global, lembra François Bricaire, chefe do setor de doenças infecciosas do hospital Pitié Salpetrière. “As condições meteorológicas neste ano foram excepcionais. Talvez esse fenômeno esteja ligado às mudanças climáticas. Em todo o caso, de modo geral, há uma modificação e uma facilitação da transmissão dos vírus pelos mosquitos”, afirma. “No verão o risco é máximo."

O médico francês ressalta que o aumento das temperaturas é um dos fatores que explicam porque os mosquitos ficam ativos por vários meses. “A temperatura ajuda na proliferação dos mosquitos que transmitem a febre do Nilo Ocidental, conhecido como Culex. Mas também há fatores que não controlamos. Aparentemente, o vírus se propaga mais do que antes.”

O especialista ainda esclarece que o aumento da circulação humana entre continentes faz com que o vírus seja mais facilmente levado de uma região a outra. “Nos Estados Unidos, esse vírus não existia, até os primeiros casos aparecerem em Nova York e na costa leste americana. Os americanos ficaram surpresos. Invadiu progressivamente todo o país e chegou ao Canadá”, diz.

No Brasil, por enquanto, o único registro é de contaminação em cavalos, que morreram da doença. Os casos foram detectados em junho no Espírito Santo, mas o mosquito picou os animais em abril, segundo o Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica. O clima brasileiro, quente, é adequado para a reprodução do pernilongo.

O especialista lembra que, para chegar à região, o vírus deve ser trazido por viajantes ou aves migratórias. “Um viajante deve trazer o mosquito, mas localmente ele deve poder se reproduzir, além de precisar de calor e umidade para se proliferar."

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