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Reino Unido tem 24 horas para entregar proposta sobre Brexit à UE

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, tem pouco mais de 24 horas para tentar apresentar à União Europeia a proposta final do país para um acordo sobre o Brexit, e evitar mais atrasos nas negociações entre os dois lados. Caso não consigam cumprir com o prazo, os britânicos perderão a oportunidade de se reunir com líderes do bloco europeu ainda em novembro e terão menos tempo para negociar um acordo que atenda a seus interesses. O país sai oficialmente da União Europeia daqui a pouco mais de quatro meses. 

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres 
 
Depois de um fim de semana de negociações frustradas dentro do próprio gabinete, Theresa May anunciou, na noite de segunda-feira (12), que o país está na reta final para apresentar sua proposta para a União Europeia. No entanto, é difícil prever se esse documento vai chegar realmente à mesa dos líderes do bloco até a quarta-feira (14).

A própria Theresa May admitiu que há um número significativo de questões que ainda precisam ser resolvidas antes deste prazo, tanto entre os membros de seu próprio gabinete quanto com os negociadores europeus. Mas May também afirmou na segunda-feira que o Reino Unido não fará concessões só para garantir uma reunião com o bloco ainda em novembro. 

Os dois lados têm agendada uma cúpula nos dias 13 e 14 de dezembro, na qual se espera o anúncio do acordo final para a saída dos britânicos. Por isso, a pressa em tentar garantir uma rodada de conversas prévias ainda este mês. 

Principal ponto de entrave 
 
O principal ponto que parece estar emperrando as negociações é o futuro da fronteira da Irlanda do Norte. A questão é polêmica porque o país, que faz parte do Reino Unido, divide fronteira com a República da Irlanda, membro da União Europeia. 

Esta é a única fronteira terrestre que o Reino Unido tem com o bloco europeu. Atualmente, cidadãos e bens dos dois países circulam livremente entre um e outro. 

O Reino Unido diz estar interessado que a situação continue sendo esta, mesmo depois do Brexit. Mas, para isso, o país e a União Europeia teriam que chegar a um acordo mais amigável em termos de acesso dos britânicos ao mercado comum e ao livre-trânsito de cidadãos. Isso não está garantido. 

Se o Reino Unido acabar saindo do bloco europeu sem nenhum tipo de acordo, a fronteira teria que ser formalizada, com a instalação de postos de controle e alfândega. Isso poderia também ameaçar o compromisso de paz que pôs fim a décadas de conflito e terrorismo na Irlanda do Norte. 

Tanto britânicos quanto irlandeses têm pavor da ideia da volta da fronteira. Por isso, esta é a questão sobre a qual todos estão se debruçando neste momento para fazer com que as negociações avancem.
 
Impasse prejudica governo May
 
Theresa May está longe de ser vista com bons olhos no Reino Unido. Não se trata apenas da oposição do Partido Trabalhista ou dos defensores da permanência do Reino Unido na União Europeia: ela está sofrendo uma enorme pressão dentro de seu próprio partido e até mesmo dentro de seu próprio gabinete. Basta lembrar que muitos dos ministros que ela nomeou em 2016, quando assumiu o governo após o referendo, já deixaram o gabinete e criticam abertamente a maneira como ela está conduzindo o Brexit. 

May deu indícios de que prefere continuar trabalhando nas propostas até dezembro ou janeiro, se for necessário, do que ter que correr para apresentar algo à União Europeia ainda este mês. Mas, nos últimos dias, vários ministros e membros do Partido Conservador fizeram declarações pedindo para que a primeira-ministra mude de tática e realmente mantenha os prazos programados para evitar que a proposta final para o Brexit acabe sendo rejeitada pelo Parlamento.

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