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Brexit: Parlamento britânico está dividido sobre acordo entre May e UE

Por RFI

O Reino Unido acorda para um novo dia de incerteza em relação ao futuro da primeira-ministra, Theresa May, e também em relação à saída do país da União Europeia. Na quinta-feira (15), sete ministros renunciaram e membros do Partido Conservador iniciaram pedidos para um voto de desconfiança contra May, depois que ela finalmente apresentou o esboço do acordo que os britânicos pretendem firmar com o bloco europeu para o Brexit.

Malu Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O Reino Unido acorda nesta sexta-feira (16) com a notícia de que Michael Gove, atual ministro da agricultura e um das figuras mais influentes da política britânica, rejeitou o convite de Theresa May para o cargo de ministro do Brexit. A pasta foi abandonada nesta quinta-feira (15) por Dominic Raab, que disse discordar da proposta de acordo do governo para a saída da União Europeia.

A premiê britânica agora precisa encontrar um nome que tenha o peso e o nível de influência necessários para seguir adiante com as negociações com o bloco europeu, nos termos exigidos por ela, até a data oficial para o Brexit, em 29 de março de 2019. Fora as sete renúncias e a rejeição de Michael Gove, Theresa May também enfrenta a ameaça de um voto de desconfiança dentro do Partido Conservador.

Se pelo menos 48 parlamentares conservadores exigirem o voto, e se a maioria do partido votar contra ela, May perderia a liderança e teria que deixar o cargo de primeira-ministra. Inevitavelmente, haveria uma crise dentro do partido, já que ele está totalmente rachado em relação ao futuro do Brexit. Isso é bom para a final de negociações com a União Europeia, e os conservadores sabem disso. Portanto, apesar da forte pressão contra Theresa May e seu isolamento dentro do partido, pode ser que muitos tentem evitar o voto de desconfiança.

O ex-ministro do Brexit, David Davis, disse que o Parlamento britânico deverá rejeitar o acordo, e que a primeira-ministra britânica deverá renegociar o projeto com Bruxelas, que provocou uma tempestade política em Londres.

Situação da Irlanda do Norte

O acordo finalmente esclareceu que o Reino Unido pretende manter os direitos dos cidadãos europeus que já vivem no país e tem a intenção de criar uma nova relação comercial bilateral com a União Europeia que derrubasse cotas e tarifas. Essas duas propostas, para os defensores do Brexit, parecem na realidade perpetuar as condições que o Reino Unido já tem por ser membro do bloco europeu. Mas o principal ponto de polêmica é a situação da Irlanda do Norte.

Na tentativa de evitar uma fronteira rígida com a República da Irlanda, que faz parte da União Europeia, o plano de Theresa May é manter os norte-irlandeses sob o controle alfandegário do bloco europeu, mas também gozando das vantagens disso, enquanto o resto do Reino Unido tem que sair. Como era de se esperar, os chefes de governo da Escócia e do País de Gales estão furiosos, exigindo ter mais voz nas negociações e mais poderes para governar independentemente de Londres.

Se UE aceitar, Parlamento britânico avalia acordo em dezembro

No dia 25 de novembro, Theresa May se reúne com os chefes de Estado e de governo dos 27 países-membros da União Europeia para que todos aprovem a proposta de acordo apresentada pelos britânicos. Caso seja aprovado, o acordo terá que ser submetido à aprovação pelo Parlamento britânico em dezembro. É aí que as coisas podem se complicar, já que membros de todos os partidos já expressaram sua insatisfação com o texto final.

Se o acordo for rejeitado pelo Parlamento, o governo terá que apresentar uma nova proposta. Uma nova rejeição poderia levar o país a sair da União Europeia sem acordo nenhum, a novas eleições gerais ou até mesmo a um novo referendo que poderia dar aos britânicos a opção de simplesmente permanecer no bloco.

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