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Acordo para o Brexit mantém Reino Unido ligado à UE

Por Alfredo Valladão

Ser ou não ser europeu? O Reino Unido vive numa permanente crise de nervos com  perspectiva do “Brexit”. Tanto os que querem cortar as amarras quanto os que não querem sair do porto, já estão denunciando o acordo com a União Europeia – um calhamaço de mais de 500 páginas, negociado pela primeira-ministra Thereza May. E Londres, por enquanto, só conseguiu tratar as cláusulas do divórcio. As futuras relações entre a Grã-Bretanha e o Continente ficam para depois, e vão ser preciso mais dois anos, no mínimo, para resolver a pendenga.

Na verdade é muita areia para um pífio caminhãozinho. Tirando todo o jargão tecnocrático, o documento resume-se a uma transação que tem pouco a ver com o Brexit. Sim, o Reino-Unido recupera plena soberania para aceitar ou não novos imigrantes, sejam eles europeus ou extracomunitários. E apesar disso, pode continuar a fazer parte da União Aduaneira europeia em matéria de comércio de bens durante todo o período da negociação de um acordo final.

Só que esse arranjo tem tudo para manter os britânicos atrelados à União Europeia para sempre, e numa condição bem pior do que agora. A cláusula da manutenção provisória no mercado comum europeu era fundamental para impedir uma fronteira física entre a República da Irlanda, membro da União Europeia e a Irlanda do Norte, membro do Reino-Unido.

A livre circulação de bens e pessoas é a base dos acordos que estabeleceram a paz na ilha depois de décadas de conflito. E a única solução foi obrigar a Grã-Bretanha inteira a permanecer na integração comercial do resto do continente. Mas isto significa que Londres não vai poder negociar acordos comerciais com terceiros – isto é prerrogativa da Comissão de Bruxelas – e vai ter que se submeter à Corte Europeia de Justiça em caso de litígios e a todas as regulamentações europeias. E ainda por cima, sem poder apitar: os Britânicos perdem o direito de voto dentro das instituições europeias.

Desde o referendo sobre o Brexit, os dirigentes políticos e empresariais britânicos sabiam perfeitamente que abandonar a Europa significava ter que perder influência para poder manter o acesso ao mercado. E mesmo assim já tiveram que engolir a recusa europeia de aceitar a presença no continente dos serviços financeiros da City de Londres.

Escolha era entre Brexit "duro" e total

Do ponto de vista econômico e suas consequências sociais, a escolha era entre um Brexit “duro” e total, que provocaria uma crise catastrófica, e um Brexit “leve”, onde as ilhas britânicas salvavam a própria economia mas viravam reféns da União Europeia. E como a questão irlandesa não tem outra solução e não vai desaparecer tão cedo, o acordo provisório negociado por Thereza May tem tudo para acabar sendo definitivo – depois de mais alguns anos de negociação. Não é à toa que os “Brexiters” mais convencidos, denunciam um falso divórcio.

No final das contas, ele acaba com os sonhos nostálgicos de uma volta ao Império Britânico, comerciando com o mundo inteiro nos seus próprios termos sem dar satisfação aos seus parceiros europeus – que aliás também representam o seu principal mercado, e de longe. Mas os que não queriam o Brexit também não estão gostando: perderam o mercado financeiro continental e não tem mais meios de influenciar a política econômica e comercial da União Europeia.

O problema agora, com tantas oposições, é saber se esse acordo vai conseguir passar pelo voto do Parlamento. Não é impossível, mas vai ser difícil. Também a própria primeira-ministra não sabe se vai ou não ser defenestrada pela ala mais radical do seu próprio partido. Nos dois casos, sobra só uma alternativa: ou um Brexit definitivo e catastrófico no dia 29 de março próximo, ou um novo referendo para ver se os eleitores britânicos mudaram de ideia. E mesmo se isto acontecer, o país vai continuar profundamente dividido. Mas se May ganhar a parada, vai mostrar que tem tutano de um Winston Churchill.

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