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Depois de UE aprovar Brexit, May agora busca apoio do Parlamento

Depois de mais de um ano e meio de negociações, os países-membros da União Europeia aprovaram formalmente, no domingo, o acordo com as condições para a saída do Reino Unido do bloco. Mas o futuro do Brexit ainda é incerto: a primeira-ministra britânica, Theresa May, agora precisa convencer o Parlamento do país a apoiar o acordo, em uma votação que deve ocorrer em 12 de dezembro.

Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Nesta segunda-feira (26), a primeira-ministra pretende fazer um apelo aos parlamentares para que aprovem o acordo. Trechos do discurso dela foram divulgados e ela deve dizer que sem o apoio do Parlamento, o país voltará à estaca zero com o Brexit e as divergências em todo o país ficarão mais profundas.

Uma rejeição no Parlamento pode significar que o país sai da União Europeia em 29 de março de 2019 sem acordo nenhum. Mas também pode abrir as portas para que o governo renegocie um novo acordo. Em Bruxelas, Theresa May disse pela primeira vez que admite a ideia de renunciar caso o acordo seja rejeitado pelo Parlamento. Isso poderia levar a novas eleições gerais e, talvez até um novo referendo.

Depois da publicação do acordo final, em 14 de novembro, Theresa May enfrenta críticas vindas de dentro de seu próprio gabinete, de seu partido e da oposição. Mas ela sobreviveu à ameaça de um voto de desconfiança dentro de seu partido e chegou a Bruxelas confiante de que o acordo é o melhor que os britânicos podem esperar para o Brexit.

Esta é a mensagem que ela quer transmitir nestas próximas semanas, quando deve visitar várias regiões do país para se reunir com cidadãos comuns e tentar convencê-los a apoiar o plano de saída. A premiê deve reforçar a ideia de que o novo texto acaba com o livre trânsito de cidadãos do bloco europeu para o Reino Unido, já que a imigração foi um dos pontos que mais pesou na decisão daqueles que votaram pelo Brexit no referendo de 2016.

Convencer o Parlamento, no entanto, será a tarefa mais difícil para a primeira-ministra. Os principais partidos de oposição – o Trabalhista, o Liberal-Democrata e o Partido Nacionalista Escocês (SNP) - declararam sua rejeição e disseram que vão votar contra o acordo. O próprio partido de May, o Conservador, está dividido, com cada vez mais parlamentares afirmando que também vão reprovar o acordo na votação em dezembro.

O Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, que é o principal aliado dos conservadores no governo, também fez críticas ao texto final e ameaça votar contra Theresa May. Esse partido, que tem dez cadeiras no Parlamento, é quem ajuda os Conservadores a manterem uma pequena maioria. Sem o DUP, os Conservadores perderiam essa maioria e talvez a liderança do governo.

Multa de £ 39 bilhões

O acordo assinado pelo Reino Unido e pela União Europeia prevê que o país pague uma multa de £ 39 bilhões de libras (cerca de R$ 189 bilhões) para sair do bloco. Este é um dos principais pontos que está causando polêmica. Alguns dos principais defensores do Brexit acreditam que os britânicos só deveriam acertar as contas depois que os europeus garantirem privilégios no acordo comercial que os dois lados ainda tentam negociar.

Outra questão controversa é a fronteira com a Irlanda do Norte: o acordo, que será negociado até 2020, prevê um mecanismo que evita que se crie uma fronteira física entre o país e a República da Irlanda, mas isso significa que esta parte do Reino Unido ficaria praticamente sujeita às regulamentações da União Europeia enquanto outros países, como a Escócia por exemplo, não.

O documento de mais de 500 páginas divulgado em 14 de novembro foi duramente criticado tanto por aqueles que preferem que o Reino Unido saia do bloco europeu, os "Brexiters", como também por aqueles que defendem a permanência, os Remainers. Um lado acredita que o acordo ainda permite uma grande influência dos europeus no país, enquanto o outro acha que o novo acordo representa uma piora na situação que atualmente o país usufrui por estar dentro do bloco.

 

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