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Sem-teto são encontrados mortos em lixeiras no Reino Unido

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Uma das placas de aviso colocadas em contêineres de lixo pela Polícia Metropolitana de Londres. CC-by, Squirk / Robert Hunter.jpg

Acostumados a ficarem atentos com gatos e outros animais dentro de lixeiras e depósitos de lixo, os funcionários responsáveis pela limpeza urbana na Grã-Bretanha encontram cada vez mais cadáveres de sem-teto, ou mendigos que dormem nestes locais. Com a chegada do inverno e a falta de abrigos, os lixeiros se tornaram mais vigilantes e desenvolveram procedimentos para evitar que pessoas que dormem dentro de contêineres sejam jogadas dentro dos caminhões de recolhimento de detritos.


Um lixeiro de Westminster, bairro de Londres, relatou ao jornal The Times que sua preocupação agora é com “pessoas que dormem” no local. “Seria terrível se eles forem jogados dentro do rolo compressor do caminhão de lixo”, afirmou. A notícia, repercutida também pelo jornal Le Monde, traz relatos de funcionários que encontram, cada vez mais, mendigos em sacos de dormir úmidos, dentro de grandes contêineres destinados a recolher lixo dos habitantes.

Os acidentes com a população desabrigada se multiplicam. Um homem que dormia nestas condições chegou a ter uma perna e a bacia fraturados após ser comprimido num caminhão que recolhia detritos, na cidade histórica de Rochester, na Inglaterra, a cerca de 50 km de Londres. Ele morreu no hospital mais tarde, devido a complicações causadas pelo acidente.

Le Monde detalha que a chegada do inverno e a falta de abrigos para populações vulneráveis nas cidades aumenta o medo de uma recrudescência do fenômeno, que se tornou “quase banal”. Segundo o jornal, uma associação reportou 11 pessoas mortas após dormirem em contêineres de lixo, entre 2010 e 2016. Apenas em 2016, cerca de 135 mendigos foram encontrados dormindo dentro deste tipo de material.

Em 2014, um homem de 34 anos protagonizou um desses tristes casos no Reino Unido. O corpo de Matthew Symonds foi encontrado já dentro de uma usina britânica de transformação e reciclagem de lixo. No sul de Londres, a administração colocou grandes cartazes próximos aos depósitos de lixo pedindo atenção redobrada aos funcionários responsáveis pela coleta.

Lixeiros preocupados com o fenômeno

Segundo os funcionários de limpeza pública, é comum encontrar dentro dos contêineres de lixo não apenas os sem-teto, mas também usuários de droga e pessoas embriagadas que fazem uma pausa antes de voltarem para casa. “O verdadeiro perigo é quando algum deles dorme profundamente e não escuta o caminhão”, relata um dos entrevistados.

O procedimento atual dos lixeiros ingleses agora inclui um novo protocolo: movimentar  as camadas de papelão e outros materiais que se encontram na superfície dos detritos, para tentar acordar eventuais pessoas que dormem no local.

Segundo o jornal Le Monde, a baixa taxa de desemprego – 4,1% - e a aparência próspera de Londres disfarçam a “massificação da precarização do emprego” e o aumento do número de trabalhadores pobres. Segundo a associação beneficente Shelter, a Grã-Bretanha possui cerca de 32 mil sem-teto, um aumento de 13 mil apenas em 2018.

Para o vespertino francês, “a crise financeira de 2008, o alto preço dos aluguéis e a política de austeridade dos governos conservadores, a partir de 2010, jogaram novos pobres na rua”. Cerca de 1/5 da população do Reino Unido, cerca de 14 milhões de pessoas, fazem parte desta estatística, segundo o jornal.