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Reuniões da COP24 acontecem dentro de mina de carvão desativada

Começa oficialmente nesta segunda-feira (03/12) a 24a Conferência do Clima das Nações Unidas. Em Katowice, na Polônia, delegados de quase 200 países negociam durante duas semanas para definir os próximos passos para a implementação do Acordo de Paris. O documento, firmado em 2015, visa limitar o ritmo do aquecimento global a menos de 2°C em relação à era pré-industrial.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

As primeiras reuniões da COP24 em Katowice aconteceram neste domingo (2), mas a cerimônia de abertura, com a presença de cerca de 30 chefes de Estado e governo, será nesta segunda-feira (3). A sede da conferência do clima deste ano é tida como uma escolha controversa. Katowice respira há décadas um dos ares de pior qualidade da Europa.

A proteção ambiental, aliás, não é um ponto forte da Polônia, que abriga 33 das 50 cidades mais poluídas da Europa e tira quase 80% de sua energia do carvão, um grande poluente da atmosfera. No país, 19 mil pessoas morrem por ano vítimas da poluição do ar, segundo números oficiais.

Nas vésperas da COP24, Varsóvia fez algumas promessas de investimentos em energia renovável. As propostas, entretanto, são consideradas tímidas por ambientalistas. O governo polonês se comprometeu a diminuir a parcela de carvão na matriz energética dos atuais 80% para 60% até 2030 e afirmou que construirá usinas nucleares. A energia nuclear é considerada menos poluente na produção de energia, mas a tecnologia é controversa, pelos riscos que representa.

Katowice se desenvolveu graças às minas de carvão. A conferência acontece dentro de uma mina de carvão desativada e – outro ponto controverso – tem como um de seus patrocinadores oficiais uma companhia estatal de carvão.

Há décadas, a cidade tem um sério problema de poluição do ar, provocada principalmente pelos velhos sistemas de calefação das casas, que são ainda em grande parte a carvão. A prefeitura vem fiscalizando e incentivando a modernização da calefação doméstica, mas a população ainda tem que conviver com o smog diariamente.

Livro de regras

O objetivo prioritário da COP24 é definir o chamado “livro de regras” do Acordo de Paris, que deverá determinar em detalhes como deverá ser alcançada na prática a meta de limitação do ritmo de aquecimento da Terra a menos de 2ºC - e, de preferência, a menos de 1,5°C, como recomenda o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), divulgado em outubro.

O “livro de regras” deve dar transparência aos esforços dos países para redução do aquecimento, tornando esses esforços comparáveis entre si, verificáveis e quantificáveis. Nesse ponto, muitos países têm ideias diferentes de como isso deve ocorrer.

Além disso, a COP 24 deve tratar de dinheiro e de como se dará a prometida ajuda de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 que os países desenvolvidos deverão dar às nações mais pobres para a proteção climática. Há muitas divergências nessa área e falta dinheiro, principalmente depois do anúncio da saída dos EUA do Acordo de Paris. Esta saída só deve ocorrer em 2020. Até lá, os EUA participam dos encontros anuais do clima.

Brasil retira candidatura para sediar COP25

O Brasil era o candidato favorito para sediar a próxima conferência, a COP 25, mas o Itamaraty comunicou a decisão de retirar a candidatura argumentando que o país não tem condições de arcar com os custos do evento. A retirada da candidatura também atendeu a um pedido do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que repetidamente insinuou que, a exemplo do que fez Donald Trump, retirará o Brasil do Acordo de Paris.

As expectativas dos ambientalistas não é muito otimista. Para muitos analistas, essas duas semanas de reuniões, realizadas até dia 14 de novembro, serão insuficientes para finalização do “livro de regras” visando a redução do ritmo do aquecimento global.

O mais provável é que a aprovação do documento seja mais uma vez adiada, como aconteceu no ano passado, e acabe ficando para a conferência agendada para novembro do ano que vem. Ativistas também temem que o compromisso final fique tão diluído que na prática se torne inócuo, ficando muito aquém do que pedem cientistas e ambientalistas.

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