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Brexit

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A hora da verdade para Theresa May

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Theresa May na manhã de 12 de dezembro, quando o Partido Conservador vota uma moção de censura contra ela. REUTERS/Peter Nicholls

O deputado conservador Graham Brady, encarregado de receber as reclamações de parlamentares britânicos descontentes com a atuação da primeira-ministra Theresa May, anunciou nesta quarta-feira (12) que uma moção de censura visando a premiê será votada logo mais, entre 18 e 20 horas horário de Londres.


Os correligionários de May conseguiram o apoio necessário para iniciar esse processo que pode retirá-la do comando da legenda e, consequentemente, do poder. Theresa May corre o risco de perder a liderança do partido se 158 dos 315 parlamentares conservadores votarem contra ela.

Se perder, May deve renunciar e haverá uma nova votação dentro do partido para escolher um novo líder. Caso ganhe, ela não poderá ser desafiada pelos correligionários novamente durante um ano.

Nesta manhã, a primeira-ministra prometeu “contestar a moção com tudo o que tem". Disse, também, que eleger um novo líder conservador é um "risco" para o futuro do país e sublinhou que uma nova liderança não terá tempo suficiente para reabrir as negociações com a União Europeia (UE) sobre o Brexit, um dos principais pontos de discórdia entre os conservadores. A votação acontece depois de May ter falhado em sua última tentativa de obter garantias de líderes europeus de reforma em alguns pontos do acordo.  

Relembre o passo a passo do Brexit

Em um referendo em 23 de junho de 2016, os britânicos optaram por encerrar sua adesão à UE por um placar apertado de 52% a 48%. O resultado desencadeia a renúncia, no dia seguinte, do primeiro-ministro conservador David Cameron, que havia convocado o referendo e liderado a campanha para a permanência na UE.

O ativista do Brexit, Boris Johnson, se retira no último minuto da corrida para substituir Cameron e Theresa May, a ministra do interior que apoiara a permanência do Reino Unido no bloco europeu, torna-se a primeira-ministra, em 13 de julho.

Em 17 de janeiro de 2017, May faz um discurso definindo sua estratégia para o Brexit, dizendo que a Grã-Bretanha sairia do mercado único europeu como forma de controlar a imigração. Na época, ela adverte que estaria disposta a abandonar as negociações com a UE, dizendo: "Nenhum acordo para a Grã-Bretanha é melhor do que um mau acordo para a Grã-Bretanha".

Em 13 de março de 2017, o parlamento britânico aprova um projeto de lei autorizando May a acionar o artigo 50 do tratado da UE que estabelece o processo para deixar o bloco. O governo põe em marcha o processo em 29 de março, ao enviar uma carta ao presidente da UE, Donald Tusk, anunciando formalmente a intenção de saída. Tinha início um cronograma de dois anos para retirada da Grã-Bretanha da EU, a ser concluído em 29 de março de 2019.

Theresa May convoca eleições antecipadas para 8 de junho de 2017. Os conservadores perdem a maioria parlamentar e são forçados a fazer um acordo com o Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP) para governar. A questão das garantias britânicas para manter uma fronteira aberta entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, após o Brexit, torna-se um ponto-chave nas negociações.

Em 8 de dezembro de 2017, a Grã-Bretanha e a União Europeia chegam a um acordo preliminar sobre três áreas-chave do divórcio: o acordo financeiro da Grã-Bretanha com o bloco europeu, os direitos dos cidadãos e a fronteira irlandesa.

Líderes da União Europeia dão sinal verde para o prosseguimento das negociações do Brexit, incluindo debates sobre como a Grã-Bretanha continuará a negociar com o bloco após a separação.

Um projeto sobre a decisão de deixar a UE se torna lei em 26 de junho de 2018.

Em 6 de julho de 2018, May consegue impor sua vontade de buscar "uma área de livre comércio entre o Reino Unido e a União Eurpeia, o que manteria um forte alinhamento com o bloco europeu após o Brexit.

Dois dias depois, David Davis, o ministro eurocético, deixa o cargo dizendo que May estaria “dando muito, de forma fácil”.

O ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, renuncia em 9 de julho, tornando-se um dos principais críticos dos planos da primeira-ministra.

Reunidos em Salzburgo nos dias 19 e 20 de setembro, líderes da UE relatam a May que suas propostas do Brexit eram inaceitáveis ​​e precisariam ser retrabalhadas.

Em 13 de novembro de 2018, a União Europeia publica planos de contingência para um Brexit "sem acordo". Algumas horas depois, o gabinete de Theresa May informa que as equipes de negociação haviam chegado a um acordo preliminar para o divórcio.

Em 14 de novembro, a proposta recebe aprovação dos partidários de May. No entanto, no dia seguinte, quatro ministros, incluindo o novo secretário do Brexit, Dominic Raab, pedem demissão em protesto.

Líderes da UE aprovam o acordo em 25 de novembro, dizendo tratar-se "do único acordo possível", segundo as palavras do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O projeto de May enfrenta críticas intensas no parlamento britânico.

Em 10 de dezembro, a primeira-ministra adia a votação sobre o acordo na Câmara dos Comuns para o dia seguinte, reconhecendo que enfrentaria uma pesada rejeição. Ela viaja então a Bruxelas para novas conversações, mas os líderes da UE rejeitam qualquer renegociação.

Em 12 de dezembro, o Partido Conservador argumenta a insatisfação de muitos parlamentares com a liderança de Theresa May e provocam um voto de confiança que pode afastar a primeira-ministra do cargo.