rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Brasileira conta como é trabalho humanitário em zonas de guerra

Darana Souza trabalha na Divisão de Nutrição e Sistemas Alimentares da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), setor responsável em elaborar uma resposta humanitária aos países onde há conflitos. A brasileira acaba de voltar de duas zonas de guerra. 

Rafael Belincanta, de Roma

Atualmente, a FAO atua em 50 zonas de situação humanitária, muitas das quais em conflito, sobretudo na Ásia, África e Oriente Médio, regiões onde estão a maioria dos 821 milhões de famintos e das mais de 200 milhões de crianças subnutridas no mundo. Darana voltou recentemente de duas dessas zonas de conflito: Sudão do Sul e Nigéria.

“O Sudão do Sul é um país bastante novo, criado em 2011, mas com um longo histórico de conflitos no território. O último é bem perceptível e já dura 5 anos com uma situação de violência generalizada e muitos ataques brutais à população civil, além da degradação da situação econômica. Existe uma situação de deslocamento importante, uma a cada três pessoas teve que mudar seu lugar de residência, seja dentro ou fora do país", relata. "Por outro lado, em setembro foi assinado do Acordo de Paz entre o presidente e o seu ex-vice-presidente e agora vive-se a expectativa de como isso vai se desenrolar", explica a brasileira.

Darana diz que apesar das adversidades, não se sentiu ameaçada enquanto trabalhava nas zonas de conflito. Todavia, reconhece que as primeiras a sofrer as consequências são as mulheres e as crianças.

“Na Nigéria também existe uma situação muito preocupante com a má-nutrição que é muito grave em algumas zonas do país. Há uma situação de conflito entre grupos armados, inclusive o Boko Haram, e o exército da Nigéria. A quantidade de pessoas em insegurança alimentar também é preocupante assim como a violência e os ataques à população. A situação de gênero também é bastante complicada. Quando estão em situação de conflito, as mulheres tendem, por exemplo, a parar de amamentar agravando ainda mais as condições dela e da família”.

Segurança alimentar é prioridade

Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU decretou que o aumento da fome está diretamente ligado aos conflitos. Darana explica que as consequências da guerra são nefastas e que a segurança alimentar é um dos primeiros alvos.

“Os conflitos podem desestruturar completamente, a curto ou a longo prazo, o contexto físico, econômico, político e sócio-cultural das pessoas. Por exemplo, com a destruição das cadeias alimentares desde a produção, passando pelo transporte e armazenamento, até a comercialização, o que torna a disponibilidade de alimentos muito mais difícil e o preço desses alimentos tende a subir. Além disso, destroem-se os meios de vida das populações, as suas atividades produtivas, as famílias ficam sem recursos, sem dinheiro para acessar os alimentos, sobretudo os alimentos saudáveis para uma dieta adequada. É quase impossível acessar serviços como o de saúde, que é essencial para a nutrição. São serviços que tendem a ter dificuldade de funcionamento durante o conflito, inclusive por questão de segurança”.

A resposta humanitária da FAO no combate à fome, à má-nutrição e para a construção da resiliência concretiza-se por meio de diferentes ações: “Trabalhamos com operações, com apoio à produção e consumo de alimentos saudáveis e nutritivos para uma dieta balanceada de populações afetadas ou em risco, com o reforço de políticas públicas em situações de crises prolongadas e com a análise de dados e metodologias que permitem acompanhar a situação e identificar uma possível escalada da fome para agir o quanto antes”.

Países oferecem armas e ajuda humanitária

Quando questionada sobre a dicotomia de países que por um lado oferecem armas e de outro ajuda humanitária, Darana reitera os princípios que guiam o trabalho humanitário. “A ação é pautada nos princípios humanitários, ou seja, humanidade, imparcialidade, neutralidade e independência. O sofrimento humano precisa ser tratado onde quer que ele exista. As pessoas que trabalham com ação humanitária não podem tomar partido, o que orienta a ação humanitária são as necessidades das pessoas", explica. Segundo ela, "a ação humanitária precisa ser autônoma, independente de qualquer interesse econômico e político. Essa é a base do trabalho humanitário, esse é o fundamento do trabalho humanitário e é isso que garante que as pessoas e as suas necessidades estejam no centro das ações”.

O trabalho de Darana não termina quando há um eventual cessar-fogo. “Após a finalização das hostilidades armadas existe um período de recuperação bastante longo que pode durar de 10 a 15 anos. Então o trabalho é contínuo para reforçar as políticas públicas que garantam que as instabilidades não retornem”.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima.

"Estrela no Guia Michelin brinda a amizade franco-brasileira”, diz chef Raphaël Rego

Brasil é país que mais cai em relatório sobre competitividade divulgado em Davos

“Europeu gosta de música brasileira com contexto histórico”, diz cantor Mario Bakuna

Decreto de Bolsonaro sobre armas trará mais violência, alerta Instituto Sou da Paz

"Bolsonaro afeta a imagem do Brasil", diz Fernando Henrique Cardoso em Paris

“Bolívia deu uma lição de moral no Brasil ao extraditar Battisti”, diz ex-deputada ítalo-brasileira

“Passamos 80% do nosso tempo negociando”, diz criador de novo método de negociação e gestão de conflito

Brasil será interlocutor dos EUA nas relações com Maduro, aponta pesquisador

Especialista da UFMG sobre política do novo governo: “No Brasil, índio bom é índio morto”

Relações entre Brasil e França vão se deteriorar com política ambiental de Bolsonaro, diz pesquisador

Pianista brasileiro investe no Tango para seu primeiro concerto parisiense

“Com FUNAI já era difícil demarcar terras indígenas, com ruralistas será mais complicado” diz ativista de ONG

Projeto político de Bolsonaro cria desconfiança na Europa, diz historiadora francesa

"Congresso muito fragmentado será obstáculo para governo Bolsonaro", diz professor da UERJ

“Bolsonaro começa mandato pressionado e tem três meses para mostrar a que veio”, diz especialista em economia.

Autora brasileira radicada na França lança livro de memórias de viagens na Amazônia

"Intervenção federal no RJ também foi marcada pela falta de transparência e respostas sobre violações", diz coordenador de Observatório

Direitos Humanos no Brasil: perspectivas para 2019 são preocupantes, diz advogada da OAB

“Postura de Bolsonaro com a imprensa tem inspiração autoritária”, diz Eugênio Bucci