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Barista brasileiro faz sucesso em Londres com venda de café

No país do chá das cinco, o negócio é tomar café. Sobretudo aquele de boa sofra, de que se conhecem as origens, comprado diretamente do produtor.  Nos últimos 10 anos, os ingleses tomaram gosto pelos chamados cafés especiais. Foi assim que começou a história de sucesso do brasileiro Fabio Ferreira em Londres.

Vivian Oswald

Correspondente da RFI em Londres

Ele é um dos sócios do Notes, um café descolado, que começou com uma loja nas imediações de Trafalgar Square, bem no centro da capital. Hoje, a marca cresceu, tem nove lojas estabelecidas, uma pop-up na City, o bairro onde trabalham os homens de negócios de Londres, uma torrefação, e ainda vende seus produtos pela internet.

O negócio começou com o aporte inicial de Fabio no valor de quatro mil libras. Foi o que precisou pagar para se tornar sócio de uma van que servia café perto da estação de Victoria. Uma década depois, as coisas mudaram. Esse ano, o Notes levantou um milhão de libras em apenas três dias em um crowdfunding, aquele sistema de financiamento coletivo. Prova do reconhecimento da empresa pelos investidores.

Quando se mudou para a capital britânica em 2007, Fabio trabalhou nos cafés de duas redes de restaurantes. Não gostou da experiência, pois não tinha como mostrar as habilidades de barista adquiridas ainda no Brasil. Foi depois de demitir-se do último emprego que a sua sorte mudou.

Naquele dia, no caminho de volta para casa, descobriu o café da van. O automóvel adaptado pertencia a um estudante britânico com quem passou a conversar sempre que parava para o cafezinho. Era um franchising de uma marca francesa. Bom. Mas podia ser bem melhor. Deu boas dicas, ajudou-o algumas vezes, até o momento em que o jovem resolveu se dedicar ao mestrado. Propôs então sociedade a Fabio. Bastava que pagasse as 4 mil libras referentes à metade do valor que havia investido para criar o negócio.

O brasileiro não pensou duas vezes, conseguiu um empréstimo no banco e pagou antes mesmo de assinado o contrato. Nas primeiras semanas, o negócio dobrou o faturamento. Rapidamente ele resolveu mudar o formato do serviço. Queria um carro que permitisse que quem estava atrás do balcão visse a cara dos clientes.

“Isso é muito importante. E tem mais: se tem uma fila, e você não troca olhares com o cliente, ele vai embora. Se houver a troca de olhares, ele sabe que você o viu, e fica.

A temporada à frente do café da van exigiu muitos esforços de Fabio. Mas, segundo ele, valeu. Talvez pelo fato de ser formado em Relações Públicas, aproveitou para fazer muitos contatos e amigos.

“É uma loja móvel que você tem que montar todos os dias naquele determinado local. E provar para o cliente que, independente do clima, se está sol, nevando, chovendo, você está lá e que ele pode confiar, todo dia, quando estiver a caminho do trabalho, podia nos encontrar  lá vendendo café. Já fui para a feita com cinco centímetros de gelo. Estava quase sozinho lá”, destaca.

Segundo ele, essa experiência do carro permitiu que, a partir da interação constante com o cliente, entendesse o gosto do freguês.

“Talvez, eu diria que foram os tempos mais felizes da minha vida, porque era um trabalho muito duro, mas muito gratificante”, afirma.

Fábio Ferreira co-fundador do Notes Coffee Roasters & Bars Arquivo Pessoal

O café do Fabio ganhou fama. Um dia, um jornalista britânico que costumava fazer ponto ali, resolveu colocar a dupla da van em contato com um casal de investidores que queria abrir o seu café em Londres. Desde então, a empresa só cresce. Hoje, tem 125 funcionários e um valor de mercado que pode estar avaliado em 10 milhões de libras. Eles vendem 32 mil copos de café por semana. São quase um milhão e meio de cafés por ano. Hoje, o Notes torra 80 toneladas por ano. E 60% disso é vendido para outras cafeterias.

Fabio se lembra que, em 2007, a cena dos cafés especiais ainda era restrita. E se a sua trajetória se deve em boa medida à expansão desse mercado, e ao fato de estar no lugar certo, na hora certa, hoje já não é tão fácil manter-se na moda. O londrino aprendeu a tomar bons cafés, tornou-se exigente. E, de olho nesse grande mercado, muitas companhias estrangeiras vieram se estabelecer aqui. Com muito dinheiro. A competição é feroz.

“O café está se tornando como se fosse um rótulo de vinho. O público hoje do Notes sabe que, agora, estamos com cafés da Etiópia. Nós tentamos sempre comprar os cafés dos mesmos produtores ano após ano, para que o público tenha essa afinidade com esses cafés e que, no próximo ano, ele esteja esperando para experimentar aquele café novamente”, disse.

A maior decepção de Fabio em todos esses anos, foi o período de um ano e meio em que ficou sem ganhar nada com cafeteria. Tinha de cortar para que a loja continuasse funcionando. E isso saía do bolso dos sócios-diretores. Mas isso já é passado. O negócio vai de vento em popa. E a ideia é expandir. Quem sabe até mesmo para a Ásia e Estados Unidos. Mas Fabio ainda mantém duas vans de café. Uma onde tudo começou.

“Continuo tendo dois carrinhos, o primeiro, que é perto da estação de Victoria e o segundo no Borough Market. Eu ainda mantenho as raízes desde trabalho que comecei fazendo aqui em Londres”, completa.

 

 

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