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Em 2019, euro completa 20 anos de criação com fim de notas de € 500

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Euro completa 20 anos de criação em 2019 REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)/File Photo

Nesta terça-feira (1), a criação do euro completa 20 anos. A moeda se impôs nos mercados e sobreviveu a uma grande crise, mas parece condenada à fragilidade, incapaz de conseguir consolidar a “solidariedade europeia”. Primeiramente usado como instrumento virtual por financistas, contadores e administradores, o euro se materializou em 1º de janeiro de 2002 e, agora, faz parte da vida de 340 milhões de cidadãos de 19 países.


O Banco Central Europeu (BCE), que assumiu as rédeas da política monetária em 1999, afirma ter evitado uma escalada de preços. Apesar de ainda ser visto como uma moeda inflacionada, sua popularidade está em seu nível mais alto.

Cerca de 74% dos cidadãos da zona do euro acreditam que a moeda única foi benéfica para a União Europeia (UE), e 64% pensam o mesmo para seu próprio país, conforme pesquisas publicadas em novembro pelo BCE. Os dados foram publicados ao mesmo tempo em que movimentos populistas anti-europeus estão ganhando terreno em todas as partes do continente. O euro impulsionou o comércio intercomunitário e é a segunda moeda mais usada no mundo, ficando atrás do dólar americano.

Em 2012, no entanto, a jovem história da moeda única europeia quase foi interrompida, arrastada pela crise da dívida soberana que ameaçou abalar o sistema bancário. Estes acontecimentos revelaram suas deficiências, com a falta de solidariedade orçamentária para a mutualização da dívida e dos investimentos. Como consequência, existe o risco de disparidades profundas entre as economias do bloco, na ausência de um credor como último recurso para os Estados em dificuldades, entre outros fatores.

Pouco foi feito para reforçar o euro desde sua criação

O presidente do BCE, Mario Draghi, conseguiu apagar o incêndio de 2012, afirmando que sua instituição faria "todo o possível para salvar o euro". Desde então, o BCE tem um programa para comprar, sob certas condições, um montante ilimitado de dívida de um país atacado nos mercados – uma arma de dissuasão até então nunca usada, mas que serviu para restaurar a calma.

E, para acabar com o fantasma da deflação, considerado um veneno para a economia, o BCE recorreu a ações sem precedentes, levando suas taxas de juros ao nível mais baixo e comprando principalmente dívida pública de 2015 a 2018, por um montante total de € 2,6 trilhões. No entanto, em nível político, pouco (ou quase nada) foi feito para corrigir os defeitos inatos da moeda. Os 19 países ainda não possuem as ferramentas para corrigir as disparidades de desenvolvimento ou investir para enfrentar os desafios econômicos.

Nos anos 1990, "o mais importante para a Europa era, em nível econômico, prover o mercado com uma moeda única para pôr fim às mudanças significativas na taxa de câmbio entre os países-membros. Em nível político, o objetivo era trazer a Alemanha reunificada para a Europa Ocidental", disse o economista Gilles Moec, do Bank of America Merrill Lynch e ex-funcionário do Banco da França.

Embora esses argumentos fossem suficientes naquela época para "vender" o euro para a população, pouca coisa se consolidou desde então. As ideias mais audaciosas, como um ministro das Finanças para a zona do euro ou a criação de um Fundo Monetário Europeu, foram descartadas nos últimos 18 meses de negociações. “O BCE fez o que era possível depois de estabilizar a moeda e o sistema bancário", avaliou Moec.

Notas de € 500 vão desaparecer

A partir de 27 janeiro, os bancos centrais da zona do euro devem parar, como previsto, de emitir notas de € 500. A União Europeia considera que a cédula facilita atividades ilegais, mas a Alemanha e a Áustria vão ter um período de tempo maior para interromper a circulação. A suspeita de que elas eram usadas para atividades ilegais fez com que surgisse o apelido de "notas Bin Laden". A decisão foi criticada por alguns países, sobretudo a Alemanha.

As notas de € 500 que circulam atualmente continuarão legais e poderão ser usadas como modo de pagamento, segundo o BCE. Elas poderão ser trocadas nos bancos centrais europeus por tempo indeterminado. Um pouco maior que as outras, elas representam € 261 bilhões e cerca de 521 milhões de cédulas estavam em circulação até novembro passado.