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“Bolívia deu uma lição de moral no Brasil ao extraditar Battisti”, diz ex-deputada ítalo-brasileira

Por Elcio Ramalho

Os italianos acompanharam com muito interesse e ao vivo pela televisão, rádios e redes sociais a chegada do ex-ativista Cesare Battisti na manhã desta segunda-feira (14) a Roma. “O país parou para acompanhar todos os passos da chegada dele. A expectativa realmente era muito grande”, relata Renata Bueno, primeira ítalo-brasileira a ser eleita para uma vaga no Parlamento italiano.

Durante seu mandato de cinco anos (2013 - 2018), Renata acompanhou de perto as negociações entre os dois governos para que Battisti fosse entregue pelas autoridades brasileiras à Itália. O ex-ativista foi condenado à revelia à prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas no período em que integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, no final da década de 1970.

“O Brasil foi muito relaxado no período em que ele ficou no país, por mais de 10 anos. A decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula de negar a extradição deixou a relação entre as duas nações ruim”, lembrou, em referência ao decreto assinado no último dia de mandato do ex-presidente petista, em 2010, permitindo a permanência de Battisti no Brasil.

“Foi um período de bastante luta, principalmente para tentar desbloquear a situação do Battisti. Foram muitos obstáculos de ambos os lados, em todos os setores e todas as esferas”, afirmou na entrevista à RFI Brasil, de Roma.

A situação levou a um esfriamento que se traduziu em bloqueio de muitos acordos e investimentos. Como exemplo, a ex-deputada eleita pelo movimento União Sul-Americana dos Emigrantes Italianos (USEI), cita a iniciativa de reconhecimento de carteiras de motoristas de brasileiros na Itália e vice-versa. “O acordo ficou parado por cinco anos”, recorda. A extradição de brasileiros presos na Itália para cumprir pena no seu país também ficou congelada, argumenta.  

Na entrevista à RFI, a ex-deputada, que não conseguiu ser reeleita para o Parlamento, avaliou as diferentes fases das negociações entre Roma e Brasília sobre o caso Battisti.  “Primeiramente, o Brasil teve uma participação muito negativa, mas que, no final, foi positiva. [Battisti] viveu tranquilamente durante todos esses anos, acabou fugindo por relapso da segurança e da polícia brasileira, mas foi a pressão que o conduziu à fuga”, diz.

Relação entre Brasil e Itália deve melhorar

Desde sua eleição, Jair Bolsonaro prometeu colaborar com a extradição de Battisti ao governo italiano. Antes mesmo de assumir o cargo, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão do ex-ativista, acelerou o processo, já que o então presidente Michel Temer assinou a autorização para permitir sua extradição imediata. Considerado fugitivo pela polícia brasileira, Battisti foi capturado na Bolívia e de lá entregue às autoridades italianas.  

Para a ex-deputada, o processo de extradição, que partiu da Bolívia, minimizou o papel do Brasil no episódio. “Como o Brasil não cumpriu seu papel de extraditá-lo e deixou que ele fugisse, a extradição, mesmo já concedida, caiu por terra”, explicou, em referência à busca internacional de mais de 40 anos de Battisti pela Itália.

“O Brasil não consegui cumprir seu papel, enrolou demais. Com a fuga para a Bolívia e a entrada ilegal no país, [tivemos] uma boa conversa com os governantes bolivianos, que imediatamente deram a expulsão, devolvendo ele ao país de origem. A Bolívia deu uma lição de moral em todos nós”, afirma. “[Brasil e Itália] são dois países irmãos, de sangue, de povo. Não merecem ter a relação abalada por um caso como esse, ou por uma decisão exclusiva de um ex-presidente. Agora temos que colocar uma pedra em tudo isso e reativar essa relação para questões positivas, para o bem das duas nações.”

Além do caso Battisti, a aproximação de Jair Bolsonaro com o governo italiano, várias vezes manifestada na redes sociais pelo presidente brasileiro e pelo ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, deve abrir novas oportunidades de negócios e parceiras entre as duas nações. “A reação positiva é relacionada a investimentos e programas que possam beneficiar os dois países - nas áreas da cultura, educação, de reconhecimento de títulos universitários - e também os milhões de brasileiros que têm a nacionalidade italiana”, conclui Renata.

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