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Espanha Feminismo extrema direita

Publicado em • Modificado em

Feministas protestam contra a extrema direita na Andaluzia

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Manifestação de mulheres contra o partido de extrema direita Vox, em frente ao Parlamento regional da Andaluzia em Sevilha. 15/01/19 CRISTINA QUICLER / AFP

As feministas começaram a se mobilizar nesta terça-feira (15) em Sevilha contra o Vox, um partido de direita hostil ao seu movimento e que permitirá a maioria do governo conservador na região da Andaluzia.


"Nossos direitos não são negociáveis", cantaram milhares de manifestantes nesta marcha cheia de bandeiras, luvas, balões e faixas de cor roxa, emblemática do movimento feminista.

Manifestações semelhantes estavam programaadas em dezenas de cidades em toda a Espanha, incluindo Madrid e Barcelona.

Francisco Serrano, líder regional do partido de extrema direita Vox, entrou em ação e chamou a concentração sevilhana de "kale borroka". O termo foi recebido como uma provocação, porque assim era chamadas as destruições de ruas provocadas no País Basco pelos simpatizantes da organização armada ETA.

A concentração feminista ocorreu em frente ao Parlamento da Andaluzia, na véspera da posse do conservador Juan Manuel Moreno como presidente desta grande região do sul da Espanha, após 36 anos de governo socialista ininterrupto.

Moreno, líder andaluz do Partido Popular, governará em coalizão com os liberais dos Cidadãos. Mas sua posse, na quarta-feira (16), e seu trabalho diário no governo exigirão apoio externo do Vox para ter uma maioria no Parlamento.

Este partido irritou  o movimento feminista ao pedir, durante a negociação, que seja revogada a lei contra a violência de gênero, porque, em sua opinião, "criminaliza" homens e os expõe falsas alegações.

A proposta não entrou no acordo que o PP assinou com a Vox para garantir seu apoio à coalizão, e tanto o PP quanto os Cidadãos reiteraram seu compromisso contra a violência de gênero.

No entanto, o movimento feminista, os socialistas e o partido de esquerda radical Podemos têm respondido com força, com o slogan "Nem um passo para trás".

"Hoje, pelo que os andaluzes estão se manifestando, é sério e eu o compartilho", disse a atual presidente da Andaluzia, a socialista Susana Díaz.

Ao apresentar a sua candidatura nesta terça-feira na câmara, Juan Manuel Moreno prometeu regenerar o governo andaluz após o "clientelismo" praticado pelos socialistas, e recuperar o emprego numa região que excede claramente a média nacional de desemprego.

"Eles chamavam isso de estabilidade quando, na verdade, o que eles estavam falando era de imobilidade", disse Moreno, atacando a hegemonia socialista. "O fim do ciclo chegou", proclamou ele.