rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Greta Thunberg Manifestação Ativista Aquecimento global Meio Ambiente Suécia jovens

Publicado em • Modificado em

Greta Thunberg, a menina que não consegue esquecer os ursos polares famintos e virou ícone mundial contra aquecimento global

media
A adolescente sueca Greta Thunberg, 16 anos, com seu famoso cartaz"Greve da Escola pelo Clima", em frente ao Parlamento, em Estocolmo. HANNA FRANZEN / TT NEWS AGENCY / AFP

Aos 16 anos, a jovem sueca já se tornou um símbolo mundial, recebida nesta sexta-feira (22) no Palácio do Eliseu pelo presidente francês Emmanuel Macron ou citada pelo candidato à corrida presidencial de 2020 nos Estados Unidos, Bernie Sanders, em seu Twitter. Depois de seu discurso na COP24, em dezembro de 2018, ela se encontra sob os refletores, e mantém, por onde passa, o tom solene da primeira greve que comandou em frente ao Parlamento de Estocolmo: “Para que ir à aula, se não teremos futuro?”. Milhares de estudantes em diversos países da Europa responderam ao chamado de Greta Thunberg, recebida como uma pop star pelas hordas de adolescentes, por onda passa.


"Caro Sr. Macron, você deve agir agora e não apenas dizer que vai agir." Determinada, Greta Thunberg se dirige em inglês ao Presidente da França. "Se você continuar a agir como se nada tivesse acontecido, você irá falhar, e se você falhar, você será percebido como um dos piores vilões da história da humanidade", continua a jovem sueca em um vídeo publicado pela rede social francesa Brut nesta segunda-feira (18). Uma mensagem que ela também enviada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A jovem, nascida em janeiro de 2003, figura entre os 25 adolescentes mais influentes do mundo, segundo a revista norte-americana Time, ao lado de Kylian Mbappé, do grupo do K-Pop NCT Dream, ou de estudantes resgatados do tiroteio de Parkland. A sueca ganhou notoriedade em seu país, iniciando uma greve da escola "pelo clima". Desde então, tem unido em sua luta dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. Nesta sexta-feira, 22 de fevereiro, ela desfilou ao lado de jovens franceses, estudantes do ensino médio.

Tudo começou em agosto de 2018. Greta Thunberg decidiu matar as aulas um dia por semana para protestar em frente ao Riksdag, o parlamento sueco. Desde então, ela pode ser encontrada no mesmo lugar todas as sextas-feiras, armada com seu agora lendário cartaz: "Greve da escola pelo clima". Depois de várias semanas protestando sozinha, vários outros jovens suecos se juntaram a ela. Famosa, ela compartilha agora com os transeuntes sobre as últimas conclusões do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), e responde a perguntas de jornalistas de todo o mundo. Seu objetivo? Alertar a população do planeta sobre a emergência climática.

Diagnosticada com autismo do tipo Asperger aos onze anos de idade, Greta é uma adolescente como as outras, mas também gosta de cultivar suas diferenças: "Se eu não fosse tão esquisita, ficaria presa nesse jogo social que todo mundo parece apreciar", diz ela na televisão sueca. E foi justamente uma depressão, aos 11 anos, que levou a garota a fazer algo. “Perdi 10 quilos em dois meses. Estava tão triste, fiquei marcada pelas imagens dos ursos polares famintos, dos degelos nas calotas polares. Decidi que precisava fazer algo a respeito, que permanecer em depressão seria inútil e egoísta”, afirmou, com tranquilidade, ao jornal The New York Times. “Mas, ao contrário das outras crianças, ela nunca esqueceu essas imagens”, retifica o Times.

Sua consciência ambiental a levou a convencer seus pais e sua irmã mais nova a mudarem seu estilo de vida. Sua mãe, a mundialmente famosa cantora de ópera Malena Ernman, desistiu de utilizar aviões em sua carreira internacional, e seu pai, Svante, investiu em um carro elétrico Tesla. Hoje, toda a família diminuiu radicalmente o consumo de carne. Greta, no entanto, foi mais longe e se tornou vegana, relata a rádio francesa France Info.

Apesar de tudo, a menina continua sendo uma estudante estudiosa e aplicada: ela continua a fazer sua lição de casa, mesmo em tempo de greve, apesar de toda a atenção da mídia. Mas, segundo sua entrevista ao NYT, a mudança nem sempre foi fácil de administrar. "Toda a minha vida, eu era a garota invisível lá no fundo, que não dizia nada." Da noite para os dias, as pessoas passaram a me ouvir. É difícil", continua Greta. Ainda assim, ela afirma estar "muito feliz em fazer isso".

A ativista ambiental sueca de 16 anos, Greta Thunberg, e Anuna De Wever, uma ativista estudantil da economia belga, participam de um protesto reivindicando medidas urgentes para combater a mudança climática, em Paris, na França, em 22 de fevereiro de 2019. REUTERS/Philippe Wojazer

Sua repentina notoriedade não aconteceu sem consequências. A adolescente enfrenta seus detratores nas redes sociais. Os "climatossépticos" ou "simples trolls" acusam-na de sofrer lavagem cerebral por parte de pais ricos e famosos, ou de ser mandada por um grupo político e treinada por comunicadores.E algumas autoridades suecas não hesitaram em criticar sua decisão de fazer greve às sextas-feiras na escola.

As críticas afetaram a menina, que decidiu respondê-las em uma longa mensagem no Facebook, em 2 de fevereiro. Ela defende a honestidade de seu compromisso. "Sou apenas uma mensageira e, mesmo assim, sinto todo esse ódio", escreveu ela, "não estou dizendo nada de novo, só estou dizendo o que os cientistas vêm dizendo há décadas, e concordo com essa crítica: eu sou jovem demais para fazer isso”, rebateu, na rede social.

Seja como for, a jovem sueca continua sua luta, assim como os discursos sem filtro ou desvios. Em seu discurso para uma plateia de chefes de Estado e líderes de grandes empresas no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, no final de janeiro, ela falou sem freios: "Eu quero que vocês sintam o medo que eu sinto. E então eu quero que vocês ajam, como se estivessem em uma crise, como se a casa estivesse em chamas, porque é o caso".

O próximo compromisso de Greta Thunberg está marcado para 15 de março. Neste dia, uma greve estudante internacional pelo clima está prevista e, mais uma vez, será foco de atenção do mundo inteiro. A adolescente foi recentemente abordada no Twitter por ninguém menos que Arnold Schwarzenegger. O ex-governador da Califórnia a convidou para ir a Viena (Áustria), sua terra natal, para a Cúpula Mundial da Áustria. "Conte comigo, Hasta la vista baby", respondeu Greta Thunberg, replicando a famosa deixa de "O Exterminador do Futuro", blockbuster estrelado pelo ator e político.