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Greve de mulheres espanholas exige igualdade salarial no mercado de trabalho

Por RFI

Milhares de mulheres na Espanha participam nesta sexta-feira (8) de uma greve feminista pelo Dia Internacional da Mulher. A paralisação acontece em vários setores para mostrar a importância do coletivo feminino para a força de trabalho do país e refletir sobre conquistas e lutas das mulheres. É a segunda vez que a Espanha realiza essa greve. Em 2018, milhões de mulheres aderiram e fizeram a maior manifestação no mundo pelo dia 8 de Março.

Luísa Belchior, correspondente da RFI Brasil em Madri

 

Este ano, a manifestação ocorre em quatro setores: o trabalhista, o educativo, o de cuidados e o de consumo. A paralisação é respaldada pela Justiça e pelos sindicatos, ou seja, trabalhadores desses setores têm o direito de fazer greve sem serem penalizadas.

Homens também podem aderir, já que o país proíbe discriminar paralisações por gênero. Ao longo do dia, os organizadores realizam cerca de 1.300 atos e debates em todo o país, e, à noite, as principais cidades fazem manifestações pelo Dia da Mulher. No ano passado, a de Madri foi a maior do mundo.

Só homens trabalham

A maioria dos setores não parou, embora se digam afetados pela paralisação. Em Madri, trens e metrôs funcionam com serviços mínimos. No País Basco, o Parlamento local suspendeu a sessão por falta de quórum.

Dia de protestos pelo Dia Internacional da Mulher teve "bicletada" feminina logo pela manhã, em Madri. 08/03/2019 REUTERS/Sergio Perez

Aulas foram canceladas em universidades. E, em ao menos duas das principais redes de televisão, além de jornais e estações de rádio, a adesão das mulheres foi total, e apenas homens apresentam programas e trabalham na produção.

Outra novidade este ano são milhares de tendas instaladas pela organização que funcionam como pontos de apoio para mulheres que queiram deixar seus filhos ou pessoas que cuidam com voluntários homens, para que elas possam ir às manifestações que terão ao longo do dia.

Influência na campanha eleitoral

Neste ano, as celebrações ocorrem em meio à campanha para as eleições gerais no país, adiantadas pelo governo espanhol. A votação ocorre no dia 28 de abril, após o chefe do governo, o socialista Pedro Sánchez não ter apoio da maioria do Parlamento para aprovar o Orçamento.

O Dia da Mulher influencia na corrida eleitoral. Ao longo da semana, todos os principais partidos se pronunciaram sobre a greve e sobre suas políticas para mulheres. Ainda há muitos eleitores indecisos em quem votar, e, entre eles, 60% são mulheres.

Este ano, no entanto, a direita rompeu com o movimento feminista. A grande polêmica vem por parte do Vox, o partido de extrema direita que está crescendo no país e é abertamente contra políticas feministas. Além da sigla, o PP, o partido conservador líder da oposição, anunciou que apoia a paralisação e também não enviará representantes para a manifestação de Madri. Já Sánchez apoia a greve e participará de atos ao longo do dia.

Governo se diz feminista

O atual governo tomou o poder no ano passado, meses depois da primeira greve das mulheres, que exigia justamente mais representação feminina na política. O gabinete tem 11 dos 17 ministérios liderados por mulheres.

Nesta sexta, entram em vigor duas medidas anunciadas na semana passada pelo Executivo espanhol: a extensão da licença-paternidade para oito semanas e a obrigação de todas as pequenas, médio e grandes empresas de fornecer ao governo a relação de salários dos trabalhadores para combater a diferença salarial entre os gêneros.

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