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Adiamento do Brexit gera incertezas sobre saída do Reino Unido da UE

A duas semanas da data prevista para o Brexit, o Parlamento britânico votou uma moção favorável a um adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia. A moção, aprovada por 413 contra 202 votos nesta quinta-feira (14) abre a possibilidade para um novo cenário, que vai depender das decisões da Câmara dos Comuns e dos líderes europeus na próxima semana.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Em uma votação histórica, o Parlamento britânico votou uma moção por um breve adiamento da data de saída do Reino Unido da União Europeia. Durante todo o período de negociação desde que os britânicos votaram pelo Brexit, em junho de 2016, este talvez tenha sido um dos dias mais decisivos do processo.

A aprovação desta moção autoriza a premiê Theresa May a solicitar a extensão do chamado artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula a saída de um país, no caso o Reino Unido, da União Europeia. Até o momento, a separação entre os britânicos e o bloco europeu está marcada para daqui a quinze dias, no dia 29 de março.

Com a moção, o Brexit teria um pequeno atraso e poderia acontecer em 30 de junho ou ganhar uma extensão mais longa. O cenário final vai depender de decisões da Câmara dos Comuns e dos líderes europeus na próxima semana. A verdade é que depois de dezoito meses de negociações, ninguém ainda sabe exatamente como este divórcio vai acontecer.

Na próxima semana, Theresa May deve apresentar pela terceira vez o acordo para o Brexit negociado com a União Europeia ao Parlamento de Westminster. A nova votação deve acontecer no dia 20 março, às vésperas da reunião dos líderes europeus em Bruxelas. Caso os deputados britânicos aprovem o acordo proposto pelo governo de May, a data do divórcio seria prorrogada para o dia 30 de junho.

Um detalhe importante é que qualquer extensão além desta data exigiria que o Reino Unido participe das eleições para o Parlamento Europeu, no final de maio. Mas se não houver aprovação na Câmara dos Comuns, a líder conservadora irá solicitar um prazo maior para o Brexit à Bruxelas. O cenário mais temido pelos meios empresariais britânicos é um Brexit sem qualquer acordo, que mergulharia o país em uma grave crise econômica. O Parlamento britânico já recusou a proposta da primeira-ministra duas vezes com receio que o Reino Unido fique bloqueado indefinidamente em uma união aduaneira com a União Europeia.

UE está impaciente com "caos político"

Todo este caos político em Londres tem gerado frustação e impaciência em Bruxelas. Após o resultado da votação desta quinta-feira, a Comissão Europeia reagiu rapidamente afirmando que cabe aos dirigentes do bloco decidirem sobre o pedido britânico para adiar o Brexit. A grande questão agora é saber se os líderes europeus irão concordar com esta prorrogação. Os dirigentes dos 27 países já afirmaram que só irão conceder um prazo maior ao Brexit diante uma justificativa plausível do Reino Unido.

É preciso haver consenso entre os 27 países do bloco para que a data do divórcio entre britânicos e UE seja postergada. França, Alemanha e Irlanda estariam dispostas a conceder mais tempo, o que não é o caso de outros países. Depois da aprovação da moção pelo Parlamento de Westminster, o negociador chefe europeu para o Brexit, Michel Barnier, reafrimou que o atual acordo é o único disponível.

A questão do adiamento ou não do Brexit não é unanimidade em Bruxelas. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk disse que vai propor aos líderes do bloco a aceitarem um “adiamento longo” do Brexit para que o Reino Unido possa repensar sua estratégia. Já o coordenador do Brexit no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, indicou não haver motivo para concordar com uma prorrogação do prazo.

Parlamentares descartam sergundo referendo

Poucas horas antes de votarem a moção pelo adiamento do Brexit, os parlamentares britânicos descartaram a possibilidade de convocar um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. A proposta foi rejeitada por uma ampla margem. Foram 334 votos contra e apenas 85 a favor, uma diferença de 249 votos. O resultado já era esperado depois que o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn anunciou que iria se abster.

Apesar do apoio à uma nova consulta popular, os deputados da oposição trabalhista acreditam que não é o momento adequado para discutir o tema. A estratégia de Corbyn é aproveitar a turbulência política provocada pelo Brexit e convocar eleições gerais no país. Caso eleito primeiro-ministro, chegaria então a hora para Corbyn convocar o segundo plebiscito. Segundo o jornal espanhol El País, a perda de credibilidade de May é um dos principais obstáculos e uma possível substituição de liderança poderia ser um dos passos, mas não o único, para desbloquear o impasse do Brexit.

 

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