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Malta União Europeia Crise migratória Mar Mediterrâneo

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Após 10 dias bloqueados em alto-mar, migrantes serão distribuídos na Europa

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Migrantes ficaram 10 dias esperando no mar até que países europeus decidissem como eles seriam distribuídos REUTERS/Darrin Zammit Lupi

Os 62 migrantes bloqueados há 10 dias no barco da ONG alemã Sea-Eye desembarcaram neste sábado (13) em Malta. Eles serão distribuídos em diferentes países europeus, após um novo acordo envolvendo Alemanha, França, Portugal e Luxemburgo.


Os migrantes foram levados primeiro para um navio da Marinha maltesa, antes de serem conduzidos à capital Valeta. Os passageiros se uniram às duas mulheres do grupo, que já haviam sido transferidas nos últimos dias por razões médicas.

Mais uma vez, um pequeno Estado membro da União Europeia sofreu uma pressão inútil ao se encarregar de um problema que não é de sua responsabilidade”, reclamou o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, por meio de um comunicado. "Mas nenhum deles ficará em Malta, que não pode carregar sozinha este peso", afirmou.

O chefe do governo anunciou nas redes sociais que um acordo foi selado com os colegas europeus. O compromisso, baseado na distribuição dos migrantes entre alguns países, é similar a outros que já permitiram o desembarque de migrantes resgatados no mar desde que a Itália fechou seus portos.

A França informou que pretende acolher 20 migrantes. Já a Alemanha se disse disposta a receber até 26 pessoas.

Portugal se comprometeu com abrir suas portas para outros 10. Em um comunicado enviado na manhã deste sábado, o ministério português da Administração Interna informou que “assume o seu compromisso de solidariedade e de cooperação”, como fez com os navios Lifeline, Aquarius I, Diciotti, Aquarius II, Sea Watch III, além outras embarcações menores. Mas lembra que o governo português insiste na importância de uma “solução europeia integrada, estável e permanente para responder ao desafio migratório”.

Itália se recusou novamente a acolher os migrantes

Os 64 migrantes, incluindo 12 mulheres e duas crianças de dois anos e seis anos, haviam solicitado ajuda ao número de emergência da associação Watch the Med em 3 de abril, quando estavam em perigo perto da costa da Líbia. A entidade alertou o navio da Sea-Eye, que patrulhava a região.

Após o resgate, o barco da associação – batizado "Alan Kurdi", em homenagem ao menino sírio encontrado morto em uma praia turca em 2015 – seguiu para a ilha italiana de Lampedusa, mas o ministro italiano do Interior, Mateo Salvini, fechou as portas do país. Roma afirmou que Berlim deveria atender os migrantes resgatados pelo navio, já que a embarcação tinha bandeira alemã.