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Irlanda do Norte Ataques Violência

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Irlanda do Norte: novo IRA estaria por trás de morte de jornalista e tumultos em Londonderry

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Uma jornalista de 29 anos levou um tiro e morreu nesta quinta-feira à noite em tumultos na cidade de Londonderry, no norte da Irlanda. REUTERS

Uma jornalista de 29 anos levou um tiro e morreu na madrugada desta quinta-feira (18) em meio à violência que tomou conta da cidade irlandesa de Londonderry. Os disparos visavam a polícia, segundo as autoridades do país, que consideraram o incidente como um “ato terrorista” perpetrado pelo novo IRA, grupo dissidente do antigo Exército Republicano Irlandês.


Os tumultos ocorreram no bairro de Creggan, um reduto nacionalista, depois de uma blitz da polícia. Cerca de 50 coquetéis molotov foram lançados contra os agentes e dois carros foram incendiados. Por volta das 23h, um homem armado apareceu e atirou nos policiais e na jornalista Lyra McKee. Ela chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

A jornalista nasceu em Belfast, ex-reduto do grupo paramilitar católico que praticou atentados entre os anos 70 e 90 no país, e escrevia frequentemente sobre o conflito na Irlanda do Norte e suas consequências. Nesta quinta-feira (18), ela publicou uma mensagem em sua conta no Twitter acompanhada de uma foto dos tumultos no bairro. Segundo Mark Hamilton, membro da polícia irlandesa, a morte da jornalista está sendo tratada como um “ato terrorista realizado por republicanos dissidentes violentos.”

Em janeiro, a explosão de um carro-bomba em Londonderry alertou as autoridades para o risco da emergência de grupos paramilitares violentos, que ganharam força com as dissidências envolvendo o Brexit, a saída do Reino Unido da Europa. A questão da fronteira irlandesa é um dos pontos mais polêmicos do acordo.

Partidos condenam violência

A chefe do partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte, o DUP, condenou a violência contra a polícia. “Quem participou da luta armada nas ruas nos anos 70, 80 e 90 estava equivocado”, disse ela, em referência aos ataques ocorridos no país durante três décadas, entre republicanos nacionalistas, partidários da reunificação da Irlanda, e os protestantes, que defendiam a manutenção do território no Reino Unido. “Ninguém quer reviver esse época”, declarou. Mais de 3500 pessoas morreram durante o período.

O partido nacionalista irlandês Sinn Fein, formado por membros ligados ao IRA e hoje aliado ao DUP, também condenou o tumulto. Para a legenda, a morte da jovem é um ataque contra toda a comunidade e o processo de paz, e viola o acordo da “Sexta-Feira Santa”, assinado em 1998 para colocar um fim à violência.” Continuamos unidos e determinados na construção de um futuro melhor e pacífico para todos”, declarou, em um comunicado, a chefe do Sinn Fein, Michelle O’Neill.

Os tumultos acontecem em pleno fim de semana de Páscoa, data que marca a revolta de Dublin, em 1916, que culminou na proclamação da República da Irlanda. Londonderry se tornou conhecida por conta do “Bloody Sunday”, em 30 de janeiro de 1972. Soldados britânicos atiraram nos participantes de um protesto pacífico, deixando 14 mortos. A tragédia se tornou título da música “Sunday Bloody Sunday”, que consagrou o grupo U2.