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Dinamarquesa que multou Apple e Google é a mais cotada para assumir liderança da UE

Passadas as eleições europeias, começam agora as negociações para definir a divisão do poder no bloco. Quem vai ocupar os postos mais disputados da União Europeia (UE) nos próximos cinco anos? Entre as personalidades mais cotadas a assumir a Comissão Europeia, está uma mulher: a dinamarquesa Margrethe Vestager.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Reunidos em Bruxelas, os líderes europeus ainda não conseguiram decidir quem vai comandar o bloco. No jantar desta terça-feira (28) os dirigentes tiveram discussões preliminares e marcaram suas posições. Alemanha e França, o motor da UE, não dividem a mesma opinião.

Apesar do apoio da chanceler alemã, Angela Merkel, seu compatriota, o democrata-cristão Manfred Weber parece estar fora da corrida. Ele era um dos nomes fortes para a sucessão de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia.

Porém, sua candidatura esbarrou na resistência do presidente francês, Emmanuel Macron, que enfatizou preferir alguém com “experiência e credibilidade política” para levar o projeto europeu adiante. A carreira política de Manfred Weber se resume aos seus três mandatos no Parlamento Europeu.

Margrethe Vestager: candidata mais forte

A comissária europeia para a Concorrência, a dinamarquesa Margrethe Vestager é talvez a candidata mais forte para ser o novo rosto do executivo de Bruxelas. Vestager, que tem o apoio de Macron, é conhecida pelas multas milionárias que aplicou contra as gigantes como Apple e Google.

A dinamarquesa é uma das cabeças-de-lista do Grupo Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (Alde), que saiu reforçado no pleito de domingo (26). Se vencer a disputa, uma de suas promessas é formar uma equipe com maior paridade entre homens e mulheres, além de garantir destaque na agenda ao combate às mudanças climáticas.

Outro nome de peso na corrida é o do social-democrata holandês, Frans Timmermans, atual vice-presidente da Comissão Europeia. Uma das ambições dele é a criação de um salário mínimo em todos os Estados membros da UE que seria cerca de 60% do salário médio.

Apesar da vitória na Holanda, Timmermans, que é “spitzenkandidat” (cabeça de lista) do grupo Socialistas e Democratas (S&D), reconheceu a perda de peso de sua bancada nas eleições europeias.

Outra opção é a escolha de um candidato não oficial, como o francês Michel Barnier, negociador chefe da UE para o Brexit, que não é um “spitzenkandidat”, mas tem muito apoio entre os líderes do bloco.

Sistema spitzenkandidaten

É uma forma controversa para escolher o nome de quem vai ocupar o cargo de presidente da Comissão Europeia. A partir deste princípio, os grupos políticos do Parlamento Europeu apontam candidatos – os “spitzenkandidaten” – para disputar a liderança do executivo de Bruxelas.

O sistema foi usado pela primeira vez em 2014 quando Jean-Claude Juncker foi nomeado para o posto mais estratégico da União Europeia. No entanto, os resultados das recentes eleições mudaram a composição do Parlamento Europeu, que está mais fragmentado, com o avanço dos verdes, liberais e populistas de direita e a perda de poder dos partidos majoritários.

Em resumo, nenhum grupo político é forte o suficiente para impor seu candidato. Além disso, Macron é um ferrenho opositor deste mecanismo.

Além de preparar as propostas de legislação da UE, a Comissão Europeia é responsável pela supervisão dos orçamentos em todos os países do bloco e vela pelo respeito dos tratados.

Outros postos importantes

Para completar a sucessão dos altos cargos da União Europeia, os líderes do bloco terão que indicar nomes para as presidências do Conselho Europeu, atualmente ocupada por Donald Tusk, do Parlamento Europeu, do Banco Central Europeu, além da escolha do Alto Representante para a Política Externa da UE.

Tusk adiantou que haverá ao menos duas mulheres nos quatro cargos mais cobiçados da União Europeia.

As indicações deverão ser anunciadas na próxima reunião de Cúpula da UE, nos dias 20 e 21 de junho.

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