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Ministro francês afirma que Europa precisa parar de exportar seus dejetos

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Dejetos plásticos em uma usina ilegal de reciclagem na Malásia, 10/2018 REUTERS/Lai Seng Sin/File Photo

Após a China e a Malásia terem avisado que irão retornar todo o lixo recebido dos países desenvolvidos, o ministro francês da Ecologia, François de Rugy, afirmou que espera que a Europa passe a reciclar todo seu lixo “em casa”.


“Pedimos veementemente que os países desenvolvidos parem de mandar seu lixo para nossos países”, declarou o ministério de Meio Ambiente da Malásia. O pequeno país do sudeste da Ásia anunciou que irá retornar 3 mil toneladas de dejetos plásticos a seus países de origem, como a França ou os Estados Unidos.

“Espero que a nível europeu, passemos a definir como regra que nosso lixo será reciclado na Europa”, afirmou o ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, ouvido pelo site de notícias Konbini News.

Há anos o continente asiático vem acolhendo os dejetos de mais de 20 países desenvolvidos, em condições ambientais catastróficas. No fim de maio, as Filipinas retornaram ao Canada, toneladas de lixo que se acumularam durante anos e que estavam no centro das discussões entre os dois países.

No ano passado, a China, país que mais recicla dejetos estrangeiros, decidiu reduzir drasticamente o processo. O que fez com que, de um dia para o outro, os países exportadores tivessem que repensar o funcionamento de toda sua indústria.

Montanha de lixo

Se por um lado os países industrializados possuem centros de reciclagem, por outro, não são capazes de absorber a montanha de lixo produzido em seus territórios. A gestão dos dejetos se tornou então um negócio mundial, já que os países desenvolvidos passaram a exportar uma grande fatia de seu lixo, principalmente para países do sudeste asiático.

Navios cargueiros, levando toneladas de dejetos, passaram a ser enviados quotidianamente à China, Tailândia ou Malásia. Um relatório da ONG Greenpeace listou os 21 países que mais exportam lixo: Estados Unidos, Japão e Alemanha formam o trio do pódio, com a França chegando na 16º posição.

Plástico impuro

Até recentemente, essa gestão era vista como benéfica para todos os lados, já que a Ásia precisava do plástico para alimentar sua própria indústria. O problema é que nem todo plástico enviado é reciclável. “Os países importadores passaram a comprar lotes inteiros de dejetos, sem saber o conteúdo exato do carregamento. A indústria asiática passou a ter que arcar com os custos de triagem e administrar o processamento das matérias impuras, que já deveriam ter sido triadas pelos países exportadores”, afirmou Jean-Charles Caudron, diretor da Agencia de Gestão Ambiental ADEME.

Com isso, toneladas de plásticos impuros estão se acumulando trazendo consequências ecológicas desastrosas em seus territórios. “Estudos mostram que três quartos dos dejetos plásticos exportados para a Ásia não são reciclados adequadamente”, apontou Agnès Le Rouzic, responsável da campanha Oceano e Plástico feito pelo Greenpeace. “Isso leva a graves problemas de saúde para os moradores e comunidades próximas a esses centros”, completou. Sem esquecer das toneladas de plástico que acabam no mar, formando imensas ilhas no Pacífico, ameaçando diretamente todos os ecossistemas.