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República Tcheca Manifestação Corrupção Primeiro-ministro

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Premiê tcheco suspeito de corrupção deve resistir ao voto de censura do Parlamento

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Multidão se reuniu no domingo (23) em Praga para pedir a renúncia do primeiro-ministro. REUTERS/Milan Kammermayer NO RESALES. NO ARCHIVES.

O primeiro-ministro da República Tcheca, o bilionário Andrej Babis, suspeito de desviar fundos da União Europeia, deve permanecer no cargo apesar do protesto que reuniu neste domingo (23) mais de 280.000 pessoas nas ruas de Praga. Na avaliação de analistas, a mobilização dos manifestantes, em sua maioria estudantes e jovens profissionais, ainda não chegou ao ponto de levar à demissão de Babis no curto prazo.


O protesto desse domingo reuniu a maior multidão nas ruas de Praga desde a queda do comunismo, há 30 anos. Em junho, 100.000 pessoas já tinham protestado contra a corrupção no governo. Foi a sexta jornada de mobilização dos jovens, que se dão conta que estão tendo seu futuro "roubado".

Babis, um empresário de 64 anos de origem eslovaca e fundador da gigante do agronegócio Agrofert, foi indiciado no ano passado por peculato, acusado de desviar € 2 milhões de fundos europeus pela justiça tcheca. A Comissão Europeia também solicitou ao premiê a devolução de € 17,4 milhões de subsídios que ele teria recebido indevidamente, de acordo com a imprensa local, em uma situação que configura conflito de interesse devido ao cargo de primeiro-ministro e sua atuação como empresário.

Os opositores do primeiro-ministro também suspeitam de uma colaboração dele com a antiga polícia política comunista da Tchecoslováquia.

Babis rejeita todas as alegações e diz não entender a razão do descontentamento popular. "Um desfile de pessoas que falam alto e forte de independência da Justiça, mas que querem me enviar diretamente à prisão", declarou. "Parece que quanto mais se gasta, mais as pessoas ficam insatisfeitas", acrescentou o premiê, eleito em 2017 com a promessa de lutar contra a corrupção.

Moção de censura

Segunda fortuna do país de acordo com a revista Forbes, e fundador do movimento populista ANO, Babis dirige um governo minoritário, formado com os social-democratas e tacitamente apoiado pelos comunistas. O governo enfrentará na quarta-feira (26) uma moção de censura, apresentada pela oposição, mas tudo indica que ela será rejeitada pelo Parlamento.

De acordo com pesquisas, a legenda populista mantém um apoio estável de 30% dos tchecos, a maioria idosos. O partido também venceu recentemente as eleições europeias, com 21% dos votos.

"Babis vai sobreviver, resta saber por quanto tempo", estima o analista independente Jiri Pehe, ouvido pela agência AFP. Na avaliação do especialista, a dinâmica social no país tem mudado com as sucessivas manifestações, mas ainda não o suficiente para provocar a queda do dirigente. Ele perderá o cargo no momento em que os social-democratas e os comunistas se derem conta que poderão perder as próximas eleições legislativas, acredita Pehe. 

Os protestos "são um problema para Babis porque eles prejudicam a imagem do primeiro-ministro, mas eles não vão empurrá-lo à demissão", concorda o analista Tomas Lebeda.

Com a proximidade das férias de verão na Europa, a ONG Milhões de momentos pela Democracia, que convocou a manifestação do domingo, programou uma nova ação no segundo semestre, em 16 de novembro, véspera do 30° aniversário da Revolução de Veludo, que encerrou quatro décadas de regime comunista.

Com informações da AFP