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Três anos depois, Brexit se arrasta e mergulha Reino Unido em crise

Em um plebiscito histórico, há exatos três anos, os britânicos decidiriam deixar a União Europeia. Era o fim de um casamento de mais quatro décadas. Mas o processo de divórcio se arrasta. Ainda existem muito mais dúvidas do que certezas sobre o futuro da relação e do próprio Reino Unido. Em crise, o país escolhe o novo primeiro-ministro que vai conduzir o Brexit.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Essa é a grande pergunta que se faz no Reino Unido. Será que os britânicos deixam a União Europeia no dia 31 de outubro, como previsto? O prazo já foi adiado duas vezes. E, se acontecer, quais serão as condições desse divórcio? Vai ser amigável ou litigioso? Não dá para saber. Tudo vai depender do futuro primeiro-ministro, e de como pretende conduzir esse processo.

A atual primeira-ministra Theresa May negociou um acordo com os europeus para a saída nos últimos anos. Mas ele foi rejeitado três vezes pelo parlamento. Será que há clima para se negociar um novo entendimento? Os europeus disseram que não há mais margem para negociação. Se não houver acordo, e essa é uma possiblidade, o que acontece com a economia do Reino Unido? Foram exatamente todas essas perguntas e a falta de respostas convincentes que derrubaram Theresa May. O plebiscito aconteceu no dia 26 de junho de 2016.

Substituto de Theresa May será anunciado no dia 22 de julho

A escolha está em curso. Na semana que vem, os cerca de 160 mil integrantes do partido conservador fazem a última rodada de votações. O fato é que, mergulhados na maior crise política do pós-guerra, os britânicos assistem perplexos à disputa de poder dentro do partido conservador, que está no comando do país desde 2010, para a escolha do novo primeiro-ministro. Dos 11 candidatos que se apresentaram para o cargo, dois ainda estão no páreo.

O franco favorito continua sendo o ex-ministro das relações exteriores Boris Johnson. Mas o atual ministro Jeremy Hunt é um azarão que conta com os tropeços do favorito. Na última sexta-feira, Boris foi parar nas primeiras páginas dos jornais, depois de suposta crise conjugal. A briga do ex-ministro com a namorada foi gravada por um vizinho. Teve até polícia.

Nos primeiros dias, ele não comentou o ocorrido. Teve gente do seu partido que disse que a vida pessoal do ex-ministro nada tem a ver com a disputa política. Mas teve também quem dissesse que era essencial que ele se manifestasse. O partido está muito abalado pela polarização do Brexit, pela vitória da extrema direita nas eleições europeias.

Existe uma espécie de temor existencial dentro partido. Foi exatamente essa crise que levou o ex-primeiro ministro David Cameron a realizar no plebiscito três anos atrás. Na esperança de acabar com as diferenças internas dentro do partido. Muitos dos seus filiados acreditam que Boris Johnson é a figura que pode reagrupar os conservadores.

A preocupação aqui não é só com futuro do país, ou com o Brexit, mas com a própria sobrevivência da legenda. Teme-se que um nome de menor carisma possa ser abatido pela extrema direita ou se tornar presa fácil para a oposição trabalhista. Resta saber se o polêmico Boris Johnson vai atender mesmo as expectativas.

Escolha de premiê está longe de colocar fim à crise política

As razões que derrubaram a Theresa May continuam presentes. É preciso resolver a questão do partido e dar um fim para essa novela do Brexit. Mas não é só isso. Os britânicos estão polarizados. O Brexit conseguiu dividir a população muito além de partidos: são os defensores e os opositores do Brexit. Acontecendo ou não a separação da União Europeia, o novo primeiro-ministro terá de saber promover a união. O complicado é que, se o Brexit acontecer mesmo, existem risco adicional de mais desunião.

Para o ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, o futuro da união entre a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte nunca esteve tão ameaçado nos últimos 300 anos. A grande maioria dos escoceses votou pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O mesmo aconteceu com o País de Gales e a Irlanda do Norte. A Escócia já avisou que, se o Brexit acontecer, deve fazer um novo plebiscito para saber se ficam ou deixam o Reino Unido. Em 2014, por uma margem apertada, os escoceses optaram por continuar britânicos.

Boris Johnson disse que pretende unir os britânicos e atacar as desigualdades econômicas e políticas que motivaram o Brexit. Mas ele também já afirmou que, se não houver um acordo com a União Europeia, o Brexit vai acontecer assim mesmo.

Menos radical, Jeremy Hunt insiste ser capaz de negociar novas bases para o acordo com os europeus e diz que o próximo primeiro-ministro deve ser “confiável" para lidar com a União Europeia. Ele é menos incisivo sobre a saída sem um acordo. Diz que o Reino Unido deixará a União Europeia sem um entendimento, mas só se não houver a perspectiva de um acordo melhor. A tensão é máxima por aqui.

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