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Nova presidente da Comissão Europeia quer continente neutro em carbono até 2050

A ex-ministra da Defesa alemã, a conservadora Ursula von der Leyen, é a nova presidente da Comissão Europeia. Eleita nesta terça-feira (16) por uma margem bastante estreita pelo Parlamento Europeu, ela pretende fazer da Europa o primeiro continente neutro em carbono até 2050.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Pela primeira vez o rosto do executivo europeu será de uma mulher. Este é, sem dúvida, o posto mais importante das instituições europeias. Ursula von der Leyen precisava da maioria absoluta no Parlamento Europeu para garantir sua nomeação. Ela obteve 383 votos a favor, 327 contra e 22 abstenções.

Para uma candidatura que surgiu de um acordo de última hora entre os líderes europeus, a aprovação da política alemã foi uma vitória, porém parcial, por causa da baixa aprovação no legislativo europeu. Apesar do apoio do Partido Popular Europeu (PPE), que tem forte influência da chanceler alemã Angela Merkel, a indicação de Von der Leyen atropelou o processo de Spitzenkandidat – cabeça de lista - e desagradou muitos políticos.

Mesmo assim, ela conseguiu assegurar votos dos liberais, socialistas e eurocéticos para ser eleita sem grande entusiasmo. A conservadora alemã ganhou por apenas nove votos, bem abaixo do limite considerado estável para as futuras aprovações de suas políticas no Parlamento Europeu.

A candidata de Merkel e Macron

O nome de Von der Leyen foi proposto pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente francês, Emmanuel Macron, depois de 50 horas de exaustivas negociações, há duas semanas. É um grande trunfo para Merkel ter conseguido emplacar sua aliada no cargo mais poderoso de Bruxelas.

Após o anúncio de vitória, a futura presidente do executivo europeu afirmou não saber quem votou a favor ou contra. “O que importa é minha convicção: é preciso encontrar soluções às nossas divisões”, ressaltou.

Ursula von der Leyen será a segunda alemã a liderar a Comissão Europeia, quase seis décadas depois de seu compatriota Walter Hallstein, de quem seu pai foi chefe de gabinete. Nesta quarta-feira (17) ela renuncia ao cargo de ministra de Defesa da Alemanha para assumir a partir do dia 1º de novembro um mandato de cinco anos frente ao executivo do bloco.

Igualdade de gênero e Pacto Verde

Às vésperas da votação, durante pouco mais de meia hora, Ursula von der Leyen fez um discurso considerado inspirador. Enfatizou a intenção de assegurar a igualdade de gênero na próxima Comissão Europeia e prometeu estabelecer metas climáticas ousadas e lançar um “Green Deal” (Pacto Verde) para frear o aquecimento global.

Revezando entre o francês, inglês e alemão, a futura presidente do executivo de Bruxelas afirmou que o respeito ao Estado de Direito não é negociável. Meio às propostas ambiciosas, está a modernização do sistema de asilo da União Europeia, com a criação de um novo Pacto de Migração e Asilo.

Diante do plenário lotado do Parlamento Europeu em Estrasburgo, ela disse que está disposta a aceitar uma extensão do Brexit, se for necessário. Portanto, a ideia mais ambiciosa apresentada em seu discurso foi a criação de um novo subsídio de desemprego a nível europeu, que seria um reforço nos tempos de crise.

Metas climáticas

Uma das promessas iniciais de Ursula von der Leyen é lançar um “Green Deal” (Pacto Verde) para a União Europeia nos primeiros 100 dias de seu mandato. A ideia é fazer da Europa o primeiro continente neutro em carbono até 2050. Ou seja, as emissões de gás de efeito estufa deverão ser compensadas, nas mesmas proporções, por ações ambientais.

Von der Leyen afirmou que o objetivo atual da União Europeia de diminuir as emissões em 40% até 2030 não é suficiente e defendeu o aumento da meta para 50% ou 55%. Os Verdes, que exigem um corte ainda mais radical, dizem que o percentual defendido pela conservadora alemã já foi aprovado pelo Parlamento Europeu no ano passado. Von der Leyen promete ainda criar um Banco do Clima, com investimentos de 1 bilhão de euros.

Acusações de plágio e de contratos lucrativos

Ursula von der Leyen, 60 anos, nasceu em uma família aristocrata em Bruxelas, no bairro de Ixelles, e se mudou para a Alemanha na adolescência. Formada em medicina e mãe de sete filhos, ela entrou para a política em 2005, quando se filiou à União Democrata Cristã (CDU) e foi nomeada ministra da Família no primeiro governo de Merkel.

Durante este período conseguiu fazer aprovar subsídios financeiros para promover a licença parental e cuidados infantis gratuitos na Alemanha. Na segunda gestão de Merkel, ocupou a pasta do Trabalho e Assuntos Sociais. Em 2014, assumiu o ministério da Defesa alemão, que pela primeira vez passou a ser comandado por uma mulher.

Nos últimos anos, Von der Leyen tem sido alvo de críticas e sua reputação arranhada por escândalos após suspeita de favorecimento em contratos extremamente lucrativos, além da acusação de plágio de parte de sua tese de doutorado, um assunto bastante sensível que já provocou renúncias de outros políticos na Alemanha.

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