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Itália: jovem alemã que salvou migrantes no Mediterrâneo é ouvida em tribunal

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A alemã Carola Rackete, capitã do navio humanitário Sea-Watch, comparece nesta manhã a uma audiência com procuradores de Agrigento, na Sicilia. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

A alemã Carola Rackete, capitã do "Sea Watch", pediu que a União Europeia se organize para receber migrantes resgatados no mar, evitando que embarcações humanitárias sejam bloqueadas. A jovem de 31 anos, compareceu nesta quinta-feira(18) em um tribunal em Agrigento, na Sicília, no sul da Itália.


A militante foi acusada de favorecer a imigração ilegal ao resgatar e desembarcar migrantes em junho passado na ilha italiana de Lampedusa. "Fiquei muito feliz por ter uma oportunidade de explicar em detalhes a operação de resgate que fizemos em 12 de junho", disse a capitã ao deixar o tribunal. "Espero sinceramente que tanto a Comissão Europeia como o Parlamento italiano façam o possível para evitar que esta situação se repita", destacou.

A audiência de Carola Rackete durou cerca de duas horas. Os promotores queriam esclarecer porque a tripulação tinha socorrido os imigrantes sem esperar os guarda-costas líbios e porque o navio não voltou para a Líbia ou Tunísia, ou ainda para  Holanda, de onde ele é originário.

Diante do Palácio de Justiça, diversos simpatizantes a aguardavam com cartazes onde estavam escritos os dizeres “Salvar vidas não é crime”. Nesta quinta-feira (18), especialistas da ONU enviaram um comunicado à Itália pedindo que o país coloque fim à criminalização das operações e das buscas no mar.

A jovem alemã foi detida no dia 29 de junho por ter entrado nas águas territoriais italianas apesar do veto do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini. Ela ancorou o navio Sea-Watch 3 à força para desembarcar 40 migrantes socorridos duas semanas antes. No dia 2 de julho, uma juíza invalidou a detenção, estimando que a jovem tinha agido para salvar vidas.

Movimento de apoio

O Sea-Watch 3 está parado no porto siciliano de Licata. A tripulação foi trocada e, como a cada missão, Carola não é mais oficialmente a comandante. A prisão da jovem desencadeou um movimento de apoio e mais de € 1,4 milhão foram coletados pela internet para pagar as custas processuais e financiar a ONG alemã.