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Orgulho LGBT: milhares de manifestantes pedem legalização de casamento homossexual na Irlanda do Norte

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Membros da comunidade LGBT de Belfast aguardam legalização de casamento homossexual. Paul Faith / AFP

Milhares de pessoas foram às ruas de Belfast neste sábado (3) para a parada do Orgulho LGBT. Existe a grande expectativa da aprovação do casamento homossexual na Irlanda do Norte, única região do Reino Unido onde isto ainda não aconteceu.


As cores do arco-íris e bandeiras coloridas deram o ar festivo ao desfile, que aconteceu ao som do hit "It's Raining Men". O evento contou com a participação do prefeito de Belfast, John Finucane, e do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Membros da igreja também participaram. Um deles oferecia hóstia nas escadas da catedral protestante de Sainte-Anne, próximo a uma placa onde estava escrito “A Igreja apoia o casamento para todos”, enquanto um outro desfilava com o cartaz “Pedimos desculpas pela forma como a Igreja tratou a comunidade LGBT”.

No mês passado, os deputados britânicos do Parlmento de Westminster, em Londres, mostraram sua vontade de avançar rumo à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte. Isso ocorreria com o voto de emendas, que também podem levar à legalização do aborto.

Em circunstâncias normais, o parlamento norte-irlandês seria responsável por legislar sobre estas questões, mas a região está sem Executivo local desde janeiro de 2017, fazendo com que Londres se ocupe de sua administração. Os votos, no entanto, só serão efetivos se nenhum governo local for formado em 21 de outubro na Irlanda do Norte.

"Todos devem ter os mesmos direitos, por isso esperamos que isto aconteça. Faremos uma grande festa", comentou a manifestante Mary Francis White, 53, cujo filho gay é vereador de Belfast. O diretor da Anistia Internacional para a Irlanda do Norte, Patrick Corrigan, classificou a mudança política de "um grande avanço nos direitos humanos".

Para Sean O Neil, organizador da Parada do Orgulho LGBT de Belfast, a luta continua. “Neste ano, o evento tem o objetivo de dar destaque aos direitos que ainda são recusados à comunidade: mais atenção às pessoas trans, reconhecimento de gênero, fertilidade, reprodução, igualdade matrimonial”, declarou.

Pressão em Londres

Uma série de fatores levou os deputados de Westminster a tomar uma ação quanto ao assunto. Em maio de 2018, a República da Irlanda organizou um referendo sobre o fim da proibição do aborto, que teve 66% de votos a favor. Já na Irlanda do Norte, a história de uma mãe sendo processada por ter supostamente comprado pílulas abortivas para sua filha de 15 anos provocou grande interesse na imprensa.

Além disso, em abril, a jornalista homossexual Lyra Mckee foi assassinada em Londonderry, na fronteira irlandesa, vítima de balas perdidas do grupo separatista Nova IRA durante um confronto com a polícia. Ainda que sua morte não tenha tido ligação direta com sua homossexualidade, Mckee se tornou um símbolo da luta pela liberação do casamento para todos. Sua companheira, Sara Canning, chegou até a pedir à Theresa May, quando ela era primeira-ministra britânica, para tomar uma ação.

Se a lei entrar em vigor em outubro, os primeiros casamentos poderão começar a ser oficializados em janeiro de 2020.