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Resgate Migrantes Itália Malta

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Acordo entre países europeus permite desembarque de 40 migrantes em Malta

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Migrantes se preparam para desembarcar de um barco da patrulha de Malta, após terem sido transferidos do navio humanitário Alan Kurdi, 4 de agosto de 2019. ©REUTERS/Mark Zammit Cordina

Os 40 migrantes que estavam a bordo do navio humanitário alemão Alan Kurdi, resgatados na quarta-feira (31), desembarcaram neste domingo (4) em Malta. Eles serão enviados a vários países europeus, respeitando um novo acordo de repartição.


O grupo de migrantes foi resgatado perto da Líbia pela equipe do Alan Kurdi, que se dirigiu em seguida à ilha italiana Lampedusa. Mas o navio da ONG Sea Eye não foi autorizado a entrar nas águas italianas.

O acordo para que eles pudessem desembarcar em Malta foi negociado com a Comissão Europeia, tendo a Alemanha como país idealizador do projeto. Os detalhes do texto foram revelados no sábado (3) pelo primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat. “Nenhum migrante permanecerá aqui”, disse o premiê, sem dar mais informações sobre os países que acolherão os refugiados.

“Quando os membros do governo alemão entraram em contato com Malta, eles se mostraram conscientes de que não era nossa responsabilidade, mas nos ofereceram um acordo”, explicou Joseph Muscat. “Permitir aos migrantes um desembarque era uma questão de bom senso. Devemos trabalhar com outros países para salvar vidas humanas.”

Portugal prometeu acolher cinco dos resgatados. Segundo o governo português, França, Alemanha e Luxemburgo fazem parte dos outros Estados anfitriões. Um segundo navio humanitário, Open Arms, ainda está à espera de um porto para desembarcar 121 migrantes, socorridos em duas operações no dia 1° e 2 de agosto.

Resgate de migrantes: entre bloqueios e liberações

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, assinou um decreto que proíbe os barcos das ONGs de entrarem nas águas territoriais italianas. A futura presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, garantiu na sexta-feira (4), em Roma, que vai propor "um novo pacto para a migração e o asilo".

"Precisamos de uma nova solução. Queremos que nossas medidas sejam efetivas e humanas", declarou Ursula von der Leyen à imprensa, pouco antes de se reunir com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. Segundo ela, “não é uma tarefa fácil, mas todos entendemos que não há soluções simples" para administrar os fluxos migratórios.

Enquanto o Open Arms aguarda uma solução, outras embarcações se preparam para novas missões. O grupo italiano de esquerda Mediterranea anunciou que a Procuradoria de Agrigento, na Sicília, suspendeu o bloqueio de seu barco "Mare Jonio" – a proibição entrou em vigor depois de um resgate em maio. Mediterranea está se preparando para voltar ao mar o quanto antes, assim como o navio "Ocean Viking", da SOS Mediterranean e da Médicos Sem Fronteiras, que em breve partirá de Marselha para a área onde os refugiados se encontram.

Desde o verão passado, todos os migrantes resgatados pelo navio Open Arms desembarcaram na Espanha. As autoridades espanholas proibiram o retorno do barco para o mar, sob pena, segundo a ONG, de pagarem uma multa de € 200.000 a 900.000. Em sua última navegação na costa da Líbia, no início de julho, o barco Alan Kurdi resgatou 109 migrantes, que depois desembarcaram em Malta.