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"Quando nos aliamos à extrema direita, é sempre ela quem ganha", alerta Macron sobre crise na Itália

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Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, "Itália merece um governo e líderes que estejam à altura". REUTERS

"Quando unimos forças com a extrema direita, no final sempre é a extrema direita que vence", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira (21), comentando a crise política italiana na coletiva da Associação de Imprensa Presidencial. "A Itália merece líderes à altura desse grande povo", insistiu ele.


A Itália mergulhou em uma crise política quando o primeiro-ministro Giuseppe Conte renunciou nesta terça-feira (20), pondo fim ao primeiro governo populista da Itália, depois de acusar o líder de extrema direita, Matteo Salvini, de ser "irresponsável" no desencadeamento da crise italiana.

Conte, encarregado dos negócios no dia-a-dia, representará a Itália na reunião de cúpula do G7 de Biarritz, que acontece de 24 a 26 de agosto no sudoeste da França.

Na França, o partido de extrema-direita Reunião Nacional saiu na liderança das eleições europeias de maio, à frente do partido presidencial A República em Marcha (LREM), por menos de um ponto. Emmanuel Macron enfrentou sua líder, Marine Le Pen, vencendo-a durante o segundo turno da eleição presidencial de 2017.

A Itália é um país amigo e um grande povo cujo destino é profundamente europeu", declarou o chefe de Estado francês. "Ela merece um governo e líderes que estejam à altura e eu estou ao lado do presidente Mattarella nas escolhas e responsabilidades que virão nos próximos dias".

"A lição italiana, se ela for necessária, mostra que quando nos tornamos aliados da extrema direita, no final é sempre a extrema direita quem ganha ", acrescentou.

Aliados históricos, França e Itália passaram por vários períodos de turbulência desde que a coligação com a extrema direita chegou ao poder.

Crise italiana: a esquerda propõe uma aliança ao M5S, mas sem Conte

A classe política italiana permaneceu em turbulência nesta quarta-feira: o Partido Democrata (centro-esquerda) propôs ao Movimento 5 Estrelas (antissistema) de formar um governo para evitar uma votação antecipada, que seria perigosa para a terceira economia da zona do euro, segundo Matteo Salvini, da Liga, de extrema direita.

O presidente italiano Sergio Mattarella, que detém as chaves para o resultado da crise política desencadeada em 8 de agosto pelo líder da Liga, deu início às suas tradicionais "consultas", destinadas a buscar uma nova maioria de governo.

O chefe de Estado discutiu com seu antecessor Giorgio Napolitano (2006-2015) e depois com os presidentes de ambas as Câmaras do Parlamento italiano.

Para resolver a crise, o presidente Mattarella tem uma gama de opções, incluindo uma eleição no outono. Mas ele é notoriamente relutante a essa ideia porque as eleições cairiam em um momento em que a terceira economia da zona do euro, em baixa e altamente endividada, terá que apresentar à Comissão Europeia seu projeto de orçamento para 2020.