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Boris Johnson aposta em sua força política e não tem medo de um possível voto de desconfiança do Parlamento

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O primeiro-ministro Boris Johnson é destaque na imprensa francesa desta quinta-feira 29 de agosto de 2019. Fotomontagem RFI

Os jornais franceses desta quinta-feira (29) destacam a queda de braço iniciada pelo premiê britânico, Boris Johnson, que decidiu suspender o Parlamento durante cinco semanas. A medida provocou a revolta de seus opositores que tentam evitar uma saída da União Europeia (UE) sem acordo, o chamado “no deal”, em 31 de outubro. Johnson deixou o tradicional discurso da rainha Elisabeth, que marca a abertura oficial do Parlamento, para 14 de outubro.


O jornal Les Echos lembra que, apesar de legal, a medida é, para muitos “uma verdadeira declaração de guerra”. Para a publicação, o premiê britânico decidiu desafiar diretamente seus opositores como que dizendo: “se vocês quiserem evitar uma saída sem acordo, terão que me derrubar”.

Para o jornalista Alexandre Counis, a aposta de Boris Johnson é arriscada. “Diminuindo o tempo que que seus opositores teriam para tentar bloquear uma saída dura da UE, Johnson pode acabar provocando tanta raiva e frustração nos parlamentares, que eles poderiam decidir por um voto de desconfiança que pode derrubá-lo de fato em eleições antecipadas”, analisa.

Derrota total da democracia britânica

“Tudo isso representa uma derrota total para a democracia britânica, ao ver um primeiro-ministro, sem um mandato direto, utilizando os poderes de um monarca hereditário para impedir o Parlamento eleito de debater sobre um assunto que afeta de maneira tão fundamental os direitos do povo”, analisa o advogado Nicholas Evans, ouvido por Les Echos.

“Mas me parece claro que Johnson que mostrar que não tem medo de provocar um voto de desconfiança, e nem de eleições antecipadas. Ele acredita ter força suficiente para vencer as eleições e fortalecer sua maioria no parlamento. O ponto positivo é que pelo menos assim, os britânicos poderão expressar nas urnas o que pensam sobre uma saída sem acordo”, finaliza Evans.

Cada vez mais duro

O jornal Libération traz em sua capa o rosto de Johnson com o título: “cada vez mais duro (hard) ”. A publicação ouviu Emmanuelle Saulnier-Cassia, especialista sobre o brexit e professora de direito público na universidade de Versalhes. “Todas as estratégias legislativas que a oposição estava planejando para evitar o “no deal” levam tempo. É por isso que Johnson quis decretar tão rapidamente a suspensão, isso impede qualquer reação do Parlamento”.

Para a especialista, apesar de parlamentares terem entrado na justiça para reverter a suspensão de Johnson, é muito difícil que a corte julgue o ato como sendo anticonstitucional.

Ontem, milhares de pessoas se reuniram em diversos pontos do Reino Unido para protestar contra a suspensão do Parlamento. Pela internet, uma petição contra a decisão de Johnson já reuniu mais de um milhão de assinaturas.