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Após crise política, premiê Giuseppe Conte promete “era de reformas” na Itália

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O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, durante discurso de uma hora e meia, marcado por protestos REUTERS/Remo Casilli

Antes de pedir o voto de confiança dos deputados para seu governo, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, prometeu nesta segunda-feira (9) que promoverá uma "nova era de reformas" para alcançar um país melhor. O discurso foi realizado poucos dias após uma crise políticas envolvendo as lideranças populistas que dirigem o país.


Em um discurso de uma hora e meia, o chefe de governo, que manteve seu posto e lidera uma nova maioria composta pelo Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema) e o Partido Democrata (PD, centro esquerda), apresentou um "amplo projeto político", que deve ser implementado até 2023.

Segundo ele, a mudança se baseará na moderação. Para isso, pediu à classe política e também à população "mais sobriedade, sobretudo, nas redes sociais". A seus ministros, pediu mais "coesão e lealdade".

Conte se referia claramente à coalizão de governo precedente, que uniu o M5E e a Liga (de extrema direita), de Matteo Salvini, marcada pelas disputas e pelas polêmicas diárias. "A população espera de nós um discurso e uma ação à altura das nossas funções e também um pouco mais de humanidade", afirmou, considerando indispensável "devolver a confiança" às instituições.

País à beira da recessão

O programa de Conte, que ele mesmo classificou de "pacto político e social", retoma as grandes linhas de um acordo obtido entre o M5E e o PD.

Uma das primeiras tarefas do governo será relançar o crescimento de um país à beira da recessão, graças a um orçamento para 2020 que deseja evitar o aumento automático de alguns impostos.

Mas Conte considerou que é preciso "melhorar o pacto de estabilidade" da União Europeia, que impõe a todos os países um déficit inferior a 3% do PIB e um nível de endividamento inferior a 60%. A Itália cumpre os requisitos do déficit, mas tem uma dívida superior a 132% do PIB.

As regras orçamentárias muito rígidas "correm o risco de tornar invisíveis os esforços importantes realizados para relançar o crescimento do país", disse Conte.

O pacto de estabilidade deve, em um futuro, "apoiar os investimentos, entre eles os que permitirão um desenvolvimento respeitoso do meio ambiente e justo no âmbito social", insistiu o premiê.

Conte pede mais solidariedade europeia na gestão dos migrantes

No âmbito europeu, Conte propôs uma "conferência sobre o futuro da Europa" para dar impulso ao continente no plano internacional e redefinir seu papel "em um mundo em plena transformação".

O premiê disse esperar "mais solidariedade" da Europa em questões de imigração, um tema que a Itália quer administrar a partir de agora "de maneira estrutural e não tanto quanto uma emergência".

Durante seu discurso, Conte foi interrompido várias vezes pelos deputados de extrema direita que pediam, a gritos, novas eleições. Na porta do Parlamento, centenas de manifestantes radicais carregavam bandeiras italianas e mostravam uma fotografia de Conte, pedindo a ele para "deixar sua cadeira e convocar eleições".

Salvini protestou junto com a população

Diante dos manifestantes, Salvini garantiu que haverá "uma oposição séria". "No Parlamento, mas também entre o povo, de norte a sul, cidade a cidade", completou. "Hoje, uma parte da Itália, no meu entender majoritária no país, foi às ruas para pedir novas eleições", insistiu.

Depois de ouvir Conte, os deputados começaram a debater antes de votar, no final da tarde. Em princípio, a votação no Parlamento não será complicada para o primeiro-ministro. Ele não conta, porém, com o mesmo suporte no Senado, Casa que deve discutir amanhã o apoio a seu governo.

(Com informações da AFP)