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Após meses de atrito, Macron vai à Roma tentar reaproximação com a Itália

O presidente francês, Emmanuel Macron, chega a Roma nesta quinta-feira (18) para uma visita oficial. A agenda de encontros com o presidente e primeiro-ministro italianos é vista como um momento crucial para a retomada da aliança franco-italiana no cenário europeu.

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

Macron vai encontrar um cenário político diferente desde a última vez que esteve em Roma. Há pouco mais de um ano, o presidente esteve no país para visitar o papa Francisco. Era o auge do atrito entre Macron e o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, que acusava França e Alemanha de não ajudarem a Itália no acolhimento dos migrantes que chegam pelo Mediterrâneo.

Poucos meses mais tarde, novas declarações de Salvini contra a França e um encontro entre representantes dos coletes amarelos e expoentes do governo italiano seriam o estopim para que Paris convocasse o embaixador francês em Roma para esclarecimentos, algo que não acontecia desde o fim da Segunda Guerra.

Agora, sete meses após o abalo das relações diplomáticas e com a saída de cena de Salvini, Macron vai encontrar um governo italiano pró-Europa e disposto a costurar alianças, sobretudo diante da incógnita do Brexit e do início do mandato da nova comissão europeia, em novembro.

Agenda de Macron em Roma

O encontro com o presidente Sergio Mattarella está previsto para 19h locais (14h em Brasília). Uma hora depois, Macron será recebido pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte. Logo após, está prevista uma declaração conjunta à imprensa.

Entre os assuntos em pauta, a migração no Mediterrâneo, os centros de detenção na Líbia e a situação no Sahel. Para o Corriere della Sera, “trata-se de uma visita importante para marcar a retomada das relações entre França e Itália, especialmente após o estabelecimento do novo governo entre Movimento 5 Estrelas (M5E) e Partido Democrático (PD), que recoloca Roma na mesma linha europeísta de Paris”.

Estratégias políticas

A reviravolta no governo italiano marca o retorno da Itália à institucionalidade europeia, como comprovam a eleição de David Sassoli à presidência do Parlamento Europeu e, mais recentemente, a nomeação do ex-premiê Paolo Gentiloni como Comissário Europeu para Assuntos Econômicos.

A reaproximação a antigos aliados é fundamental para a Itália, que ainda não encontrou saída para a recessão econômica. “A visita de Macron é uma ocasião para confirmar a reinserção da Itália no xadrez europeu em uma série de cenários, partindo da migração até a indústria, passando pelas políticas econômicas, onde potenciais convergências existem há muito tempo”, escreve Jean Pierre Darnis, especialista em relações internacionais da Universidade de Nice, na edição italiana do HuffPost.

Entretanto, há um porém para a retomada das relações franco-italianas: a desconfiança histórica de Roma em relação a Paris. A situação pode ser apaziguada com a ratificação, no início deste ano, do Tratado do Eliseu entre Paris e Berlim, assinado originalmente em 1963 para relançar as relações franco-germânicas a partir de uma visão interestatal de construção europeia.

França e Alemanha são hoje o motor da Europa e a Itália quer fazer parte dessa engrenagem. A porta de entrada seria a assinatura de um tratado entre Paris e Roma para reforçar as relações bilaterais e, consequentemente, a voz italiana na Europa e não um simples retorno à normalidade das relações diplomáticas entre Itália e França.

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