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Papa Francisco trava batalha contra grupo de milionários americanos que bloqueiam reformas na Igreja

Por Adriana Moysés

A abertura do Sínodo da Amazônia neste domingo (6), em Roma, faz a revista semanal francesa L'Obs publicar uma reportagem sobre as pressões enfrentadas pelo papa Francisco de setores católicos ultraconservadores, contrários à ordenação de homens casados na Igreja, à abertura de um ministério para as mulheres e ao diálogo com os indígenas.

Recentemente, o jornalista Nicolas Senèze, um vaticanista do jornal francês La Croix, publicou um livro-bomba, descrevendo as manobras de milionários católicos americanos ultraconservadores para se livrar do papa argentino e de seus projetos reformistas. O livro "Como a América quer mudar de papa" ("Comment l'Amérique veut changer de pape", editora Bayard) relata essa "guerra" dos opositores ao pontífice jesuíta, escancarada há mais de um ano.

Os maiores adversários de Francisco são milionários americanos descendentes de famílias do norte da Europa, liberais no plano econômico, porém puritanos em relação à moral sexual. Eles orbitam em torno do arcebispo da Filadélfia, Charles Chaput, e têm contatos no atual governo de Donald Trump. No coração desta galáxia, conta a L'Obs, está o ex-estrategista de campanha de Trump, Steve Bannon.

"Moral" evangélica para acumular dinheiro

Este grupo nega as evidências científicas sobre as mudanças climáticas e é favorável à pena de morte, sendo que o papa considera a pena capital inadmissível no catequismo. Por outro lado, eles aderem a uma teologia da prosperidade de inspiração evangélica, enquanto o papa dos pobres denuncia a "idolatria do dinheiro" e do "capitalismo predador".

Os ultraconservadores americanos promovem uma guerra cultural em defesa de uma identidade branca cristã, enquanto o papa Francisco reafirma sua preocupação com o direito dos imigrantes e se abre a um diálogo fraterno com o mundo muçulmano. Eles não representam a maioria dos católicos nos Estados Unidos, composta principalmente por hispânicos, mas possuem um imenso poder de pressão sobre os lobbies antiaborto e anti-LGBT, dentro de universidades, em think tanks e na mídia.

No início de setembro, o papa disse que não tinha medo dos radicais conservadores e que estava preparado para um novo cisma na Igreja, como o que separou, há mil anos, a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. No Sínodo da Amazônia, ficará claro se Francisco terá apoio suficiente para aprovar suas reformas, concretizando a visão de uma Igreja menos centralizada e mais respeitosa da diversidade.

Ciente que os adversários americanos já preparam sua sucessão, o papa tomou providências contra essa desestabilização. Neste sábado (5), ele ordena 13 novos cardeais, dez deles futuros eleitores no conclave que elegerá um novo chefe da Igreja. Todos têm perfil social e reformista.

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