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Turquia ignora sanções dos EUA e promete intensificar ataques no norte da Síria

Por RFI

O governo de Ancara minimiza a pressão internacional pelo cessar fogo, desdenha do avanço das tropas sírias ao longo da fronteira e entra no sétimo dia de operação militar, que já matou civis e desabrigou milhares de curdos.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

Uma semana depois de anunciar a retirada de tropas do norte da Síria, o governo de Washington determina sanções à Turquia. Foram várias ameaças da Casa Branca por redes sociais até esse anúncio oficial, que representa a primeira punição concreta contra a operação militar da Turquia no norte da Síria, apesar do próprio presidente americano, oito dias atrás, ter aberto caminho para a entrada das tropas turcas durante conversa com o presidente Tayyip Erdogan.

É, na verdade, uma tentativa de remediar a brusca decisão de Donald Trump, que tinha contrariado todas as orientações dos serviços de inteligência, diplomacia e colegas de partido.

Retaliação externa para reparação interna dos EUA

Trump tem sofrido duras críticas, inclusive dos republicanos, que, internamente, pressionam o Congresso a passar uma resolução para reverter a retirada das tropas.

As sanções afetam dois ministros e três funcionários do alto escalão do governo de Ancara. A medida também aumenta as tarifas para o aço turco em 50%. Na prática, não deve ser grande o impacto para a já reduzida importação do aço turco desde as últimas sanções, de agosto de 2018.

Mas a medida representa, claro, um agravamento na crise de confiança nas instituições turcas para o mundo. O presidente americano agora voltou a falar por telefone com o presidente turco, desta vez, para pedir o fim imediato da incursão em solo sírio.

Países da União Europeia, como França, Alemanha e Itália também concordaram em limitar a exportação de armas para a Turquia. Mas, por se tratar de um aliado da OTAN, o bloco como um todo optou por não determinar um embargo completo ao país.

Inimigos locais viram aliados contra o Exército turco

Na Síria, pela primeira vez em sete anos, as forças leais ao ditador Bachar el-Assad chegaram a cidades administradas pelos curdos. O anúncio repentino dos Estados Unidos de retirar tropas levou a essa aproximação com os militares do regime de Damasco por parte dos curdos - antes parceiros dos americanos no combate ao terror na região.

Mazloum Abdi, comandante das Forças Democráticas Sírias, grupo armado curdo apoiado, até a semana passada, pela Casa Branca, afirmou que entre comprometimento e genocídio escolhe proteger seu povo.

De acordo com ele, tanto o regime sírio quanto o governo russo fizeram propostas que poderiam salvar a vida de milhões de curdos. Por isso, reavaliou as alianças diante da ofensiva turca.

O Ministério da Defesa da Turquia anunciou que suas tropas assumiram controle de diversas cidades do norte da Síria e ocuparam a M4, uma rodovia que conecta a região com o restante do país. A partir daí, os soldados pretendem chegar a uma cidade importante, Manbij.

O presidente Tayyip Erdogan declarou, na segunda-feira (14), que, assim que as tropas americanas deixarem totalmente a localidade, a Turquia vai implementar seu plano. Ele se refere ao objetivo de limpar a área do controle de organizações curdas que o governo de Ancara considera terroristas.

E, segundo Erdogan, permitir o retorno dos verdadeiros donos da terra, os árabes. A Turquia deseja destinar a área ao retorno de parte dos refugiados sírios.

Civis são as principais vítimas

As Nações Unidas estimam que 160 mil pessoas já deixaram suas casas desde o início da ofensiva turca. Depois de se sentirem traídos pelos Estados Unidos, os curdos não sabem mais ao certo em quem confiar ou quem vai realmente proteger o povo.

Artilharia pesada e ataques aéreos da Turquia atingem cidades e, por terra, as tropas turcas avançam e conquistam territórios.

Há falta de água, comida e eletricidade e escassez de profissionais de saúde. Temendo a segurança dos profissionais, algumas organizações humanitárias também começam a deixar a região.

A principal preocupação da comunidade internacional é com os integrantes do grupo Estado Islâmico mantidos em campos de detenção nesta área. Há relatos de fuga de até 800 detentos depois de projéteis turcos atingirem as proximidades de Ain Issa - um dos principais campos de refugiados da fronteira, que abriga cerca de 12 mil pessoas.

A Turquia diz que vai assumir total responsabilidade pelos prisioneiros de toda região, antes mantidos pela coalizão formada pelos Estados Unidos e forças curdas.

O número de mortos por este novo conflito ainda não se sabe ao certo, sendo os civis as principais vítimas fatais dos ataques. Dos dois lados da fronteira.    

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