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Brexit

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Trump diz que Brexit negociado por Johnson impede acordos comerciais com os EUA

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Na data incialmente prevista para o Brexit, as negociações estão longe de terminar. REUTERS/Henry Nicholls

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (31), que o acordo do Brexit negociado pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não permitirá um tratado comercial com os Estados Unidos. No dia inicialmente previsto para a saída do Reino Unido do bloco europeu, Johnson acusou o líder da oposição trabalhista de ter impedido o seu objetivo.


A afirmação de Donald Trump é só mais um motivo de apreensão na novela em que se transformou o Brexit. Trump, que sempre prometeu ao Reino Unido um "acordo magnífico" quando o país deixasse a União Europeia (EU), deixou claro sua reticência em entrevista ao eurocético Nigel Farage, à rádio britânica LBC.

"Para ser sincero com você, com este acordo, sob alguns aspectos, você não pode (fazer comércio). Não podemos fazer um acordo comercial com o Reino Unido", declarou o presidente americano em um programa de rádio com a principal figura da campanha do Brexit.

Farage também considera que o acordo negociado em meados de outubro com Bruxelas mantém o Reino Unido perto demais da UE.

"Gostaria que você se unisse ao Boris porque, juntos, vão alcançar um bom resultado, porque você teve um bom resultado nas últimas eleições e ele te respeita muito", disse Trump a Farage.

O Partido Brexit de Farage alcançou 31,6% dos votos nas eleições europeias de maio, à frente dos conservadores.

Halloween sem Brexit

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se defendeu da não realização do Brexit na data prevista, neste dia 31 de outubro, e acusou o líder da oposição trabalhista de ter impedido o seu objetivo. "Hoje deveria ter sido o dia em que o Brexit seria realizado e finalmente deixaríamos a UE", disse em um comunicado.

"Apesar do excelente novo acordo que alcancei com a UE, Jeremy Corbyn se opôs a que ele acontecesse e preferiu mais indecisão, mais adiamentos e mais incerteza para famílias e empresas", acrescentou o chefe de governo conservador.

Johnson chegou ao poder em julho com a promessa de concretizar o Brexit a todo custo em 31 de outubro. O primeiro-ministro chegou a afirmar que preferia "morrer em uma vala" a ter de solicitar um novo adiamento.

Porém, Johnson se viu obrigado a ceder e a pedir aos europeus um novo prazo até 31 de janeiro, já que o acordo de divórcio negociado com Bruxelas foi rejeitado no Parlamento britânico.

Eleições à vista

Para sair do impasse do Brexit, que paralisa o Reino Unido desde o referendo em que 52% dos britânicos votaram favoravelmente, o Parlamento britânico decidiu na terça-feira convocar eleições antecipadas.

"Se votarem em nós, [...] podemos realmente deixar [a UE] no mais tardar em janeiro do próximo ano", prometeu Boris Johnson durante uma visita a um hospital de Cambridge.

A saúde pública tem sido um dos temas centrais de sua campanha para as legislativas de 12 de dezembro, a terceira eleição em quatro anos.

Jeremy Corbyn, por sua vez, rejeitou as acusações e zombou do líder conservador em seu discurso de abertura de campanha em Londres.

Johnson "disse que preferia estar morto a adiar o [Brexit] [...], mas ele fracassou e seu revés é apenas responsabilidade sua. Sua palavra não pode ser confiável", declarou.

Oportunidade única de transformar o Reino Unido

Os trabalhistas esperam negociar seu próprio acordo antes de submetê-lo a um referendo. "O Partido Trabalhista resolverá o Brexit dando a última palavra ao povo em um prazo de seis meses, para que possa escolher entre um acordo de divórcio confiável e permanecer dentro (da UE). E nós cumpriremos o que for decidido", prometeu Corbyn.

Mais do que falar sobre a saída do bloco europeu, Corbyn tentará se apresentar como um defensor do povo contra as "elites", depois de anos de austeridade de governos conservadores, abordando temas de política interior, como saúde, proteção social ou educação.

Corbyn se comprometeu a erradicar a pobreza, a resolver problemas de moradia, a suprimir taxas de inscrição em universidades, a nacionalizar os serviços públicos e a iniciar uma "revolução industrial verde" contra as mudanças climáticas.

"A verdadeira mudança está chegando", disse o trabalhista diante dos militantes, falando de uma "oportunidade única de transformar" o Reino Unido.