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Trabalhistas fazem campanha com proposta complicada sobre o Brexit

A nova eleição geral britânica marcada para 12 de dezembro embaralhou as cartas do jogo político no Reino Unido. Depois de todas as idas e vindas em torno do Brexit – que deveria ter acontecido na semana passada –, a classe política resolveu ajustar os seus discursos para atrair o eleitorado.

Vivian Oswald, correspondente em Londres

O primeiro-ministro Boris Johnson, que havia dito que o Reino Unido deixaria a União Europeia (UE) no último dia 31, com ou sem acordo, agora garante que o país só sai com acordo. Assim, tenta conquistar os eleitores que temem uma saída abrupta.

A campanha de Johnson vai deixar claro que ele foi capaz de concluir um entendimento com os europeus que recebeu o primeiro sinal verde do Parlamento. Os termos negociados por sua antecessora, Theresa May, foram rejeitados três vezes pela Casa. Johnson se desculpou por não ter conseguido cumprir o prazo de 31 de outubro. Semanas antes, ele havia dito que preferia estar morto numa vala a ter de pedir prorrogação para a data de saída, o que acabou fazendo.

Nigel Farage, o raivoso líder da extrema direita que tanto brigou pelo Brexit, decidiu que sequer se apresentará nesta eleição. Curiosamente, preferiu manter-se onde está, como deputado britânico no Parlamento Europeu. Disse que vai trabalhar pela campanha dos outros 600 integrantes do seu partido que concorrerão a postos.

Os trabalhistas de Jeremy Corbyn, que se mantiveram em cima do muro por algum tempo sobre a sua posição entre ficar ou sair da UE, defendem, agora, uma proposta complicada de se explicar ao eleitorado. Querem renegociar o acordo com os europeus e, depois disso, propor um segundo referendo à população, que terá de escolher entre deixar o bloco com o novo entendimento negociado por eles, ou ficar na união.

Os conservadores estão na frente com até 40% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas. Mas até eles estão inseguros. Hoje, as legendas sabem que a divisão do eleitorado britânico vai muito além de direita ou esquerda, ou das tradicionais agendas dos partidos. As campanhas estão tendo que lidar com as expectativas geradas em torno do Brexit. Há insatisfação daqueles que votaram pela saída e ainda não levaram. Por outro lado, persiste o descontentamento daqueles que não querem partir do bloco.

Há ainda um agravante, que já era esperado, é bem verdade, mas que também pesa na balança. Os escoceses já disseram que querem um novo plebiscito para determinar se ficam ou não no Reino Unido. Eles votaram maciçamente pela permanência na UE e não se sentem contemplados pelas negociações do Brexit dos últimos três anos.

Em 2014, os escoceses tentaram deixar o Reino Unido, mas acabaram ficando depois de 55% dos eleitores votarem "não" à proposta de independência. Boris Johnson já disse que não dará permissão para um novo referendo na Escócia enquanto for primeiro-ministro.

Brexit está longe de ter sido resolvido

Ainda não dá para dizer com toda a certeza se o futuro do Reino Unido é dentro da UE, ou fora dela. O país continua mergulhado na crise política na qual se atirou após o plebiscito de junho de 2016, quando optou por deixar o bloco europeu. A população continua extremamente dividida e tem muitos elementos para considerar antes de votar no mês que vem.

O polêmico Boris Johnson, que brigou muito pela realização desta eleição, justamente por saber que seu partido estaria na frente, quer a chancela do eleitor para ficar onde está. Ele assumiu após a queda de Theresa May, eleito pelos membros do seu partido conservador, o que corresponde a menos de 1% da população.

A decisão do primeiro-ministro de descartar a possiblidade de o Brexit acontecer sem um acordo não se deve apenas à convicção de que chegou a bons termos com os europeus. Johnson quer afastar qualquer tipo de aliança com Farage. Trata-se de mais uma estratégia política. Desta vez, para garantir que os trabalhistas de Jeremy Corbyn não ficarão com os votos dos eleitores que não aceitam Farage em hipótese alguma.

Mais do que nunca o Reino Unido vive momentos decisivos. Este não será um pleito como outro qualquer. É a terceira eleição em quatro anos. A classe política está desgastada, e o eleitor, cansado deste longo processo arrastado e sofrido. A população segue sem obter respostas para as suas demandas. As desigualdades sociais crescentes continuam sem solução. A agenda do país parou enquanto se tentava decidir os rumos do Brexit.

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