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Relatório da Unicef revela violência nas escolas francesas

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O jogo do lenço já matou dezenas de crianças na França. DR

Um relatório divulgado nesta terça-feira pela escritório da Unicef na França mostra que pelo 17% dos alunos do ensino fundamental apanham com frequência nas escolas públicas, e mais de 10% declararam já ter participado do chamado jogo do lenço, que consiste em um estrangulamento voluntário, com o objetivo de experimentar as sensações provocadas pela asfixia.


A brincadeira de mau gosto, conhecida como "Jeu du Foulard" na França, já provocou a morte de dezenas de crianças e adolescentes no país. Os dados integram o relatório "À l’école des enfants heureux…ou presque" (A escola das crianças felizes, ou quase), realizado pelo Observatório Internacional da Violência na Escola. Cerca de 13 mil alunos de 8 a 12 anos participaram do estudo, que analisa a violência verbal e física nos colégios franceses. Xingamentos, humilhações, surras, furtos e até mesmo extorsões foram identificados.

A pesquisa também revela que 5% dos estudantes já experimentaram o chamado "Jogo da latinha": em uma roda, alguém joga uma lata de refrigerante para um outro aluno pegar. Se ele não conseguir segurar, apanha do grupo. Durante o estudo, os pesquisadores constataram que na maior parte dos casos, os alunos impopulares, alvo da chacota do grupo, também são as vítimas desse tipo de jogo. 38% deles já participaram do jogo do lenço, contra 6% dos alunos mais populares. 13% dos participantes da pesquisa também revelaram terem se sentido rejeitados por um professor, ou foram vítimas de racismo.

O presidente do Observatório Internacional da Violência na Escola, Eric Debarbieux, que também é um dos autores do estudo, explicou que, dentro de 15 dias, os pesquisadores deverão entregar uma série de propostas contra a violência na escola, que incluem a formação dos professores. "Precisamos ter uma equipe sólida, pessoas que saibam administrar um fenômeno que é de grupo. A violência, o assédio, não é um aluno contra um outro. Geralmente é um aluno assediado pela sua classe de um modo geral, uma criança sozinha, que tem poucos amigos. São fenômenos psicossociais, e os professores precisam estar formados para lidar com ele", diz. "Acho incrível professores que dão aula durante 40 anos e trabalham com um grupo de crianças sem ter ideia do que seja uma dinâmica de grupo", disse.

Segundo o pesquisador, o problema não pode ser tratado como uma questão de segurança. “A solução não é colocar policiais nas escolas, nem as punições. É um problema pedagógico. Não podemos lutar contra esse assédio se não tivermos uma equipe de professores que chamo de comunidade justa, que não aumente a discriminação, a segregação e a violência na escola."

As consequências para uma criança que é discriminada na escola podem ser catastróficas, como lembra o pesquisador. Absenteísmo, crônico e depressão, inclusive na idade adulta, são algumas delas. Um a cada quatro ou cinco adultos que foram estigmatizados na escola são assediados moralmente no trabalho ou são vítimas de violência conjugal. "É um problema de saúde pública e também de segurança pública. Sabemos que uma parte desses alunos tem problemas de delinquência", finalizou.