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Aliados de Strauss-Kahn retomam tese do complô

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Strauss-Kahn deixa o tribunal de Nova York acompanhado de sua esposa, Anne Sinclair. Reuters/Lucas Jackson

A tese do complô volta à tona com a reviravolta do caso Strauss-Kahn, que poderá ser definitivamente inocentado pela justiça americana das acusações de tentativa de estupro feitas por uma camareira do hotel Sofitel. Segundo aliados do ex-diretor do FMI, existiriam conexões entre a direção do hotel e políticos franceses interessados na queda de Strauss-Kahn.


De acordo com uma fonte ligada ao caso, logo depois da prisão do ex-diretor do FMI, a direção do Sofitel ligou para o Grupo francês Accor, proprietário da rede, por volta das 23h45, no horário de Paris. Em seguida, a empresa alertou o coordenador nacional do serviço de informação da presidência da República, Ange Mancini, que nega qualquer implicação no caso. O grupo Accor também desmentiu em um comunicado qualquer tipo de intervenção de seus dirigentes, dizendo que as informações eram 'sem fundamento.'

Neste sábado, o deputado socialista François Loncle disse em entrevista à radio France Info "que nem tudo está claro no comportamento do grupo Accor", levantando suspeitas sobre conexões políticas entre o grupo e setores políticos interessados na queda do ex-diretor do FMI. A deputada Michelle Sabban, outra aliada de Strauss-Kahn, também lembrou que o comissário de polícia de Nova York, Ray Kelly, recebeu das mãos de Nicolas Sarkozy em 2006, na época em que era ministro do Interior, a legião de honra, a mais importante condecoração francesa. Já Pierre Moscovici defendeu em um canal de TV a ideia de que Strauss-Kahn tenha sido "mais vítima de uma armadilha que de um complô."

Também no início da noite de domingo, Martine Aubry candidata às primárias do partido socialista para as eleições presidenciais de 2012, declarou que "ninguém ousaria impor um calendário a Strauss-Kahn se ele decidisse participar do processo", cujas inscrições se encerram no dia 13 de julho. Aubry também afirmou que continuará na disputa, independentemente do que acontecer.

A reviravolta no caso Strauss-Kahn ocorreu na sexta-feira, quando a Justiça decretou o fim de sua prisão domiciliar e devolveu a caução de U$ 6 milhões. Informações divulgadas com exclusividade pelo jornal americano The New York Times mostram que a camareira, suposta vítima do ex-diretor do FMI, mentiu diversas vezes em seus depoimentos, e sabia quem era Strauss-Kahn quando decidiu prestar queixa. Segundo especialistas em direito ouvidos pela imprensa francesa, apesar do anúncio do juiz na sexta-feira de que daria continuidade ao processo, ele pode ser definitivamente inocentado nos próximos dias.