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Acidente Air France Airbus BEA Brasil Voo AF 447

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BEA condena divulgação de diálogos inéditos

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O BEA (Birô de Investigações e Análises) não divulgou o conteúdo completo das gravações das caixas-pretas. T.Stivanin

O BEA , a agência francesa que investiga as causas do acidente com o voo AF 447, criticou hoje o lançamento de um livro que revela as transcrições das caixas-pretas. Na visão do BEA, as conversas divulgadas são de caráter pessoal e não possuem ligação com os acontecimentos que resultaram na tragédia.


Para a agência de investigações, a publicação dos diálogos “é uma falta de respeito à memória dos pilotos”. O órgão destaca ainda que a revelação das frases viola a legislação européia de aeronáutica, e apenas aumenta as polêmicas sobre o que aconteceu no cockpit do AF 447 na noite de 31 de maio de 2009.

A indignação da agência francesa se refere à publicação de um livro do piloto e escritor Jean-Pierre Otelli, nesta quinta-feira. A obra é o quinto volume da série “Erros de Pilotagem” e publica a íntegra dos diálogos entre os pilotos do voo Rio-Paris, inclusive trechos que jamais haviam sido divulgados pelos investigadores da tragédia.

As conversas confirmam que os três pilotos não compreenderam o que estava acontecendo com o Airbus e não perceberam o que deveria ser feito para evitar a catástrofe. Quando o avião começa a perder altitude, um deles afirma: “Nós perdemos o controle. Não estamos entendendo nada, tentamos de tudo”.

O livro também relata os últimos instantes do voo, quando um copiloto parece perceber que a aeronave vai cair. Ele diz : “droga, nós vamos bater... Não acredito!”. De acordo com a obra de Otalli, a última frase gravada nas caixas-pretas do avião é a do comandante de bordo, que afirma “10 graus de inclinação”, logo após o segundo copiloto perguntar "o que está acontecendo?".