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Lei sobre genocídio armênio abala relações entre França e Turquia

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou a França sobre as consequências graves e irreparáveis que sucederiam à adoção da lei que reprime a negação do genocídio armênio. © Reuters

Os deputados franceses analisam nesta quinta-feira uma proposta de lei do partido conservador UMP, que reprime a negação de qualquer genocídio. O texto prevê um ano de prisão e 45 mil euros (pouco mais de 100 mil reais) de multa, caso o genocídio tenha sido negado.


Victória Álvares, em colaboração para RFI

Os deputados franceses analisam nesta quinta-feira uma proposta de lei do partido conservador UMP, que reprime a negação de qualquer genocídio. O texto prevê um ano de prisão e 45 mil euros (pouco mais de 100 mil reais) de multa, caso o genocídio tenha sido negado.

A proposta relançou um debate inflamado sobre o genocídio armênio, um dos massacres mais estudados na história, depois do Holocausto e dos massacres em Ruanda. Entre 1915 e 1917, milhares de armênios, mas também pessoas de outras etnias, foram exterminados no Império Otomano, território onde hoje é a Turquia. Quase cem anos depois, a questão volta a ser de atualidade e desestabiliza as relações diplomáticas entre a França e a Turquia.

A Turquia rejeita o termo « genocídio organizado » e vê na iniciativa francesa um ataque a sua história nacional. Segundo o chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu, o presidente francês Nicolas Sarkozy teria prometido ao primeiro-ministro turco de renunciar ao projeto de lei. «Eu estou realmente surpreso, porque o presidente Sarkozy havia prometido ao primeiro-ministro Erdogan, por meio de seu conselheiro diplomático Jean-David Lévitte, abandonar esta iniciativa ", disse ele em uma entrevista ao jornal francês Le Monde desta quarta-feira. Mas, por enquanto, a informação não foi confirmada pelo governo francês.

O primeiro-ministro turco Recep Tayyp Erdogan enviou uma comissão à Paris na tentativa de dissuadir os parlamentares franceses. Ele também alertou a França sobre as consequências graves e irreparáveis que sucederiam à adoção de uma lei que reprime a negação do genocídio armênio, e pediu à Sarkozy que desista da proposta.

Ancara afirma que a proposta de lei tem um forte caráter eleitoral. Segundo o país, o partido Sarkozy busca ganhar os votos dos 500 000 armenianos que vivem na França na próxima eleição presidencial, em 2012.