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Assassinato Brasil Brasileiro Crime Francês Julgamento

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Brasileira nega assassinato de ex-companheiro francês

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O jornal francês Le Parisien traz matéria sobre o crime cometido em 2004. RFI

Começou hoje em Grenoble, no sudeste da França, o julgamento da brasileira Denize Soares, 42 anos, acusada de matar seu companheiro francês Sébastien Brun, em 2004, durante uma viagem de férias do casal ao Brasil. No tribunal, a brasileira negou as acusações de ter envenenado o francês com cianureto e ocultado o cadáver.


A brasileira responde na justiça francesa a acusações de homicídio, crime passível de condenação à prisão perpétua, administração de substâncias ilícitas causando dano a terceiros e falsificação. Hoje, durante a primeira audiência do caso, a advogada de Denize, Joëlle Vernay, pediu ao juiz um adiamento do processo e um complemento de investigação, alegando que um relatório da perícia datado de abril de 2009, e que "desmonta a tese do envenenamento", só teria sido anexado ao processo há 15 dias. O juiz reconheceu o problema, mas decidiu dar continuidade aos debates.

O julgamento iniciado hoje é o epílogo de um crime que demorou quatro anos para ser desvendado e só foi possível graças à cooperação entre policiais brasileiros e franceses. A baiana Denize Soares está presa desde 2008 na penitenciária de Chambéry, ano em que a Polícia Federal brasileira encontrou o corpo de seu ex-companheiro enterrado em Cabuçu, na Bahia. Exames toxicológicos comprovaram que ele foi envenenado com cianureto.

Sogros falam em crime maquiavélico

O histórico do crime começa em julho de 2004, quando a baiana e seu companheiro, que na época tinha 31 anos, foram passar férias no Brasil com o bebê do casal, que na época tinha 8 meses. Ao final da estadia, Denize retornou à França com o filho mas Sébastien nunca mais foi visto. 

Durante quase um ano, Denize enganou os sogros dizendo que Sébastien tinha decidido ficar no Brasil porque estava com Aids. Os pais do francês, Bernard e Marie-Thérèse Brun, não desconfiaram de nada porque eles recebiam cartões postais do filho com a assinatura falsificada por Denize. Em entrevista ao jornal Le Parisien, eles afirmam que a brasileira foi maquiavélica. "Nós a amávamos muito, ela era charmosa, sedutora e alegre, além de ter nos dado um netinho", afirma o casal. 

Após um ano sem falar com Sébastien, os pais do francês decidiram ir procurá-lo no Brasil. Chegando na Bahia, o casal descobriu que ele não morava no endereço informado pela nora e deram queixa na polícia no Brasil e na França.

O corpo do francês foi encontrado em 2008, enterrado em Cabuçu, cidade natal de Denize no Recôncavo Baiano. A polícia brasileira fez a descoberta graças ao depoimento de um homem que revelou que um irmão de Denize tinha ajudado a dar sumiço no corpo do francês. Detido pelos policiais, Messias Soares, irmão de Denize, confessou que a irmã havia pedido a ele para comprar o cianureto, que ela colocou na cerveja do ex-companheiro, antes de ocultar o cadáver numa estrada de areia perto de Salvador.

Os franceses afirmam que Denize cometeu o crime por dinheiro. Ela sacou 50 mil euros, cerca de  114 mil reais, das contas bancárias de Sébastien falsificando sua assinatura, conforme apurou a polícia.

A brasileira nega o crime e põe a culpa no irmão, Messias Soares, pelo assassinato e a ocultação do cadáver. Messias será julgado no Brasil por cumplicidade. Ele também será ouvido no julgamento que começou hoje em Grenoble por videoconferência.