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Jornalistas franceses voltam à França, após "pesadelo" em Homs

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De volta à França nesta sexta-feira, a jornalista Edith Bouvier, com uma dupla fratura no fêmur, seguiu diretamente para um hospital militar. REUTERS/Charles Platiau

A jornalista francesa Edith Bouvier - gravemente ferida na perna - e o fotógrafo Wiliam Daniels chegaram à França no início da noite desta sexta-feira e foram recebidos pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em um aeroporto militar, próximo de Paris.


Sobreviventes do ataque ocorrido há nove dias, que provocou a morte de dois colegas de profissão, o francês Rémi Ochlik e a americana Marie Colvin, eles conseguiram deixar a cidade de Homs, na Síria, foco de resistência da oposição, e alcançar a fronteira com o Líbano, onde foram recuperados pelas autoridades francesas.

Sarkozy agradeceu a ajuda dos libaneses, dos combatentes sírios e também das autoridades russas, aliados do regime de Bashar Al-Assad, que, no entanto, colaboraram com a operação de resgate. A França, seguindo o exemplo da Bélgica, vai fechar sua embaixada na Síria.

“As autoridades sírias terão que prestar contas. Os crimes que eles cometeram não ficarão impunes”, declarou o presidente francês, que cogita a possibilidade de aumentar sua colaboração com as forças rebeldes sírias.

Na última semana, Bouvier e Daniels haviam lançado um vídeo na internet testemunhando o drama que viviam em meio a intensos bombardeios no bairro de Baba Amro, alvo do exército sírio, e pedindo ajuda para deixarem o local. Em estado estável, a jornalista está sendo tratada em um hospital militar.

Uma enquete foi aberta, nesta sexta-feira, em Paris, para investigar a morte de Ochlik , morto no mesmo ataque, e a tentativa de assassinato de Bouvier. Os corpos dos dois jornalistas que perderam a vida no bombardeio do dia 22 de fevereiro chegaram na mesma datam à Damasco, capital síria. Eles foram recuperados pela Cruz Vermelha Internacional e serão repatriados.

“Heróis que estão sendo massacrados”

De volta à França, Daniels, que não foi ferido, disse à imprensa que o “pesadelo” que viveram em meio ao conflito foi apenas uma porcentagem do que vive o povo sírio todos os dias. Ele homenageou a população alvo da repressão das forças do governo, os chamando de “heróis que estão sendo massacrados”.

Nesta sexta-feira, após mais um dia de violências, a Casa Branca classificou de “escandalosos” e “horríveis” os últimos acontecimentos no país. O exército sírio abriu fogo sobre milhares de pessoas que saíram às ruas para pressionar a liberação da entrada de armas estrangeiras para a oposição, nas cidades de Damasco e Alep. Um comboio de ajuda humanitária foi impedido de entrar no bairro de Baba Amro, cercado e bombardeado há semanas.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo para que a Síria deixe entrar ajuda humanitária “sem condições". De acordo com a instituição, mais de 7.500 pessoas morreram desde o início da contestação popular.