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Oposição ao casamento gay promete continuar mobilizada

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Um manifestante mascarado enfrenta a polícia francesa perto da torre Eiffel ao final de um protesto contra a legalização do casamento gay em Paris, nesta terça-feira, 23 de abril de 2013. Reuters

A legalidade do casamento e da adoção para pessoas do mesmo sexo devem ser confirmadas pelo Conselho Constitucional. A nova lei será então promulgada pelo presidente François Hollande e os primeiros casamentos devem acontecer a partir de junho. Enquanto os partidários da medida ainda festejam, a oposição ao casamento gay afirma que não deixará de se expressar. A direita promete fazer do tema uma das suas principais bandeiras nas eleições municipais de 2014.


Nesta terça-feira à noite, várias cidades francesas festejaram a legalização do casamento para todos. Mas em Paris e Lyon grupos de militantes contrários à medida enfrentaram a polícia, lançando pedras e objetos contra as tropas. As forças da ordem dispersaram os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo. Doze pessoas foram detidas em Paris e 44 em Lyon.

Uma manifestação nacional contra o casamento homossexual está prevista para o dia 26 de maio.

A ministra da Justiça, Christiane Taubira, grande defensora do projeto de lei, disse acreditar que os protestos contra o casamento gay vão perder fôlego. Ela aponta o precedente do PACS, um contrato de união civil aberto aos homossexuais adotado em 1999 apesar de uma oposição virulenta e que hoje em dia ninguém mais contesta.

Os senadores e deputados da oposição de direita contestam a conformidade do texto com a Constituição Francesa e o direito internacional. O Conselho Constitucional tem um mês para dar seu parecer, mas se o governo pedir que isso seja feito com urgência, o prazo pode ser reduzido para uma semana.

Segundo os juristas, o casamento não deve colocar nenhum problema de ordem constitucional. Em compensação, alguns acreditam que o Conselho pode questionar a possibilidade de adoção plena, que rompe todos os laços de filiação entre a criança e seus pais biológicos, alegando que ela seria contrária a um princípio do direito francês da filiação, o da alteridade sexual.

Jean-Pierre Raffarin, ex-primeiro ministro da UMP, o principal partido da oposição na França, afirmou nesta quarta-feira que a legalização do casamento homossexual não é uma "questão encerrada". Ele garantiu que a política familiar será um tema essencial nas eleições municipais de 2014 e que seu partido vai preparar "um grande texto" sobre o assunto.

A administração do Parlamento francês decidiu nesta quarta-feira sancionar três deputados da UMP que provocaram um incidente na madrugada de sexta-feira, durante o debate sobre o projeto de lei do casamento homossexual. Os políticos de direita protestaram de maneira agressiva contra os gestos considerados provocatórios de um dos assistentes da ministra da Justiça. Funcionários do Parlamento tentaram acalmar os ânimos e quase apanharam dos deputados.

Cerca de 200 mil franceses declaram ter um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, o que representa 0,6% dos casais no país. Um em cada dez casais vive com uma criança, segundo um levantamento recente.

O número de casais homoafetivos é pequeno, mas seu potencial econômico é considerável. Tanto que o primeiro salão francês dedicado ao casamento homossexual acontece neste fim de semana em Paris, com a perspectiva de realizar bons negócios. E de ajudar essa reforma a entrar ainda mais rápido nos hábitos dos franceses.