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Air France Airbus Anulação Avião Justiça Relatório Voo AF 447

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Air France quer anular relatório que culpa pilotos por queda do voo AF447

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Destroços do Airbus 330, que caiu próximo à costa do nordeste brasileiro, foram retirados do mar em 2009. Wikipédia

A Air France anunciou nesta quarta-feira (14) que pedirá a anulação do novo relatório da Justiça francesa, divulgado ontem, que culpa pilotos da companhia pela queda do AF447. O voo fazia a rota entre Rio e Paris em 31 de maio de 2009, quando caiu próximo à costa da região nordeste do Brasil, no oceano Atlântico. Desde março de 2011, a Air France e a Airbus estão sendo indiciadas por homicídio involuntário.


“A Air France constatou que as investigações foram realizadas de maneira unilateral. Violando o princípio da igualdade, a companhia não foi convidada a participar dos trabalhos dos especialistas”, indicou hoje a direção da empresa através de um comunicado.

A Air France acredita que os elementos apresentados no relatório são parciais e muitos detalhes foram omitidos, como informações relativas ao funcionamento do avião, um Airbus 330. No comunicado, a empresa também diz que seu direito de defesa está comprometido.

Novo relatório

O documento, publicado no dia 30 de abril, foi encomendado pelas juízas Sylvia Zimmerman e Sabine Kheris, cerca de um ano depois do primeiro relatório, apresentado em julho de 2012 às famílias das vítimas. Ambos integram o mesmo processo aberto em 2011 contra a Air France e a Airbus, indiciadas por homicídio involuntário.

O relatório cita 14 fatores que contribuíram para a queda do Airbus330, que matou 228 pessoas. Mas apesar de responsabilizar os pilotos pelas manobras que culminaram na perda de sustentação da aeronave, o documento não inocenta a Air France, citando a "ausência de diretivas claras apesar de vários casos de congelamento dos sensores Pitot."

Panes no computador de bordo

As sondas medem a velocidade do avião e não funcionaram corretamente durante o voo AF447, gerando uma série de panes no computador de bordo, que confundiram os pilotos. Eles então executaram manobras que acabaram resultando na queda do avião no oceano Atlântico. De acordo com o novo documento, a formação dos pilotos para lidar com o avião em situações extremas, ligadas à perda de indicações de velocidade, também era insuficiente.