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Avião Acidente Germanwings Alpes BEA Caixa-preta Piloto

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Um dos pilotos da Germanwings estava fora do cockpit no momento do acidente

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Captura vídeo de botão de comando que bloqueia a porta da cabine dos aviões.

O Ministério Público de Dusseldorf confirmou que um dos pilotos do Airbus A320 da Germanwings estava fora do cockpit quando o avião começou a perder altitude na última terça-feira (24). A informação foi revelada pelo jornal americano New York Times e a agência AFP. Ele teria tentado retornar à cabine, bateu na porta, mas não obteve resposta. A porta do cockpit teria ficado bloqueada durante os 8 minutos da queda, até o choque do avião contra a montanha.


O jornal francês Le Monde chegou a dizer nesta manhã que o comandante de bordo estava no interior da cabine e o copiloto, do lado de fora, mas, depois, desmentiu essa versão. O Ministério Público de Dusseldorf informou não saber qual dos dois pilotos ficou sozinho na cabine. 

A revelação de que um dos pilotos estava fora do cockpit vazou de uma fonte próxima do BEA (Escritório de Investigação e Análise para a aviação civil), que analisou a caixa-preta contendo os diálogos na cabine de comando do avião.

Segundo informações divulgadas pelo jornal americano New York Times e a agência AFP, a caixa-preta encontrada no local do acidente traz gravações que revelam que, no início do voo, os pilotos conversam normalmente, em alemão. Na sequência, é possível ouvir o "barulho de uma cadeira se deslocando, uma porta abrindo e fechando e, pouco tempo depois, ruídos de alguém batendo na porta". Depois, não há mais nenhuma conversa. No final da gravação, é possível ouvir os alertas que avisam que a queda da aeronave era iminente.

De acordo com Le Monde, o comandante ficou trancado dentro da cabine e o copiloto, do lado de fora.

Nesta quinta-feira (26), no começo da tarde, o procurador francês encarregado do caso, Brice Robin, dará uma coletiva de imprensa às 12h30, no horário local, sobre as primeiras pistas da investigação. A direção da Lufthansa e da Germanwings também anunciaram uma coletiva de imprensa às 14h30.

O acidente deixou 150 mortos, a maioria espanhóis, alemães e turcos. As vítimas eram de 18 nacionalidades. O avião fazia a rota entre Barcelona e Dusseldorf e caiu cerca de 47 minutos após a decolagem, quando sobrevoava os Alpes franceses.

Co-piloto foi contratado em 2013

A imprensa alemã traz hoje informações mais detalhadas sobre os dois pilotos do Airbus. O comandante foi identificado como Patrick S. e o co-piloto como sendo Andreas L., ambos de nacionalidade alemã. O copiloto era originário de Montabaur, cidade no oeste da Alemanha. O prefeito de Montabaur declarou à agência alemã DPA que ele vivia com os pais e também tinha um apartamento em Dusseldorf.

A Germanwings, filial de baixo custo da Lufthansa, informou que o copiloto foi contratado pela empresa em 2013 e tinha 630 horas de voo. Já o comandante tinha 10 anos de experiência e 6 mil horas de voo em aeronaves da Airbus, conforme foi divulgado nas primeiras horas após o acidente.

Comandante era "um pai de família estável", diz colega

Um piloto aposentado da Lufthansa, que conhecia o comandante do A320, disse em entrevista à rádio francesa Europe 1 que o colega morto era "um pai de família estável", apreciado pelos colegas e pela companhia aérea.  "Ele tinha um excelente relacionamento com a da tripulação; era um homem bom, educado, sério e bem humorado", declarou. O comandante era casado e tinha dois filhos.

Acidente, suicídio ou atentado: nenhuma hipótese está excluída

De acordo com especialistas em aeronáutica, há três hipóteses para explicar por que o piloto que ficou na cabine não tentou impedir a queda do avião: ele poderia estar inconsciente, morto ou queria se suicidar. Os especialistas falam com cautela, mas não é possível excluir a hipótese de atentado suicida.

Os especialistas também afirmam que depois dos atentados de 2001, nos Estados Unidos, as portas das cabines de pilotagem são blindadas e só podem ser abertas após identificação e autorização de um dos pilotos. Existem três posições possíveis para as fechaduras digitais: aberta, fechada ou bloqueada.

Do cockpit, um piloto pode trancar e abrir a porta interna apertando um botão. Estando fora da cabine, um piloto pode destrancar a porta digitando o código secreto da fechadura. Mas existe também a possibilidade de a fechadura ser totalmente bloqueda por dentro e, nesse caso, o piloto que estiver do lado de fora não consegue abri-la nem com o código secreto.