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Morte do piloto Jules Bianchi gera onda de comoção na França

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O piloto francês de Fórmula 1 Jules Bianchi, de 25 anos, morreu na noite desta sexta-feira (17). REUTERS/Brandon Malone/Files

A França acordou de luto neste sábado (18), com o anúncio da morte do piloto francês de Fórmula 1, Jules Bianchi, de 25 anos. Ele morreu na noite de sexta-feira, depois de passar nove meses internado em coma. Em outubro do ano passado, Jules Bianchi sofreu um grave acidente no circuito de Suzuka, no Grande Prêmio do Japão - o primeiro episódio fatal na Fórmula 1 desde Ayrton Senna, em 1994.


O país foi tomado por uma onda de comoção depois que a família do jovem piloto anunciou sua morte, nesta madrugada, por meio de um comunicado. "É um com profunda tristeza que os pais de Jules Bianchi, Philippe e Christine, seu irmão, Tom, e sua irmã, Mélanie, anunciam a morte de Jules na noite da última sexta-feira no Centro Hospitalar Universitário de Nice, na França, onde estava internado desde seu acidente no circuito de Suzuka, durante o Grande Prêmio do Japão, em 5 de outubro de 2014", declararam seus familiares. "Nossa dor é imensa e indescritível", reiterou a família.

Logo depois do anúncio, o presidente François Hollande também lamentou a morte de Jules Bianchi. "O automobilismo francês perde uma de suas maiores promessas", escreveu em um comunicado. "Jules, o talento e a coragem em seu estado mais puro", declarou o ex-primeiro-ministro francês, François Fillon, grande fã do automobilismo.

Nas redes sociais, as homenagens ressaltam a admiração dos franceses pelo jovem piloto. "Vamos pensar sempre em Jules", publicou Alain Prost, tetracampeão de Fórmula 1, no Twitter. "Perdemos um dos melhores 'caras' e um dos melhores pilotos que eu conheci na vida. Você vai realmente fazer falta, meu amigo", tuitou o piloto francês Romain Grosjean, da equipe Lotus.

No sangue dos Bianchi

O automobilismo está no sangue dos Bianchi. Mauro Bianchi, avô de Jules, foi quem começou a tradição, que também tem outra história trágica na família. Lucien Bianchi, tio-avô de Jules, morreu dirigindo um Alfa Romeo durante testes do circuito automobilístico 24 Horas de Les Mans, em 1969. O episódio levou Mauro Bianchi a abandonar a carreira de piloto.

Apesar da resistência da família, Jules Bianchi sempre foi um apaixonado pelo automobilismo e persistiu em realizar seu sonho de ser piloto. Ainda garoto, começou a praticar kart e pequenos circuitos. Pouco tempo depois, passou a correr em um grupo de jovens talentos da italiana Ferrari.

As ótimas performances em dezembro de 2009 em Jerez, na Espanha, pela Scuderia, abriram caminho para um contrato na equipe como piloto de teste. Desde 2013, passou a ser titular da modesta equipe Marussia, hoje extinta, por quem disputou 34 GPs na carreira, mas somou apenas dois pontos no mundial de Fórmula 1. O grande sonho de Jules Bianchi era voltar a correr pela Ferrari.

Acidente fatal

No circuito de Suzuka, durante o Grande Prêmio do Japão, em 5 de outubro de 2014, Jules Bianchi bateu em alta velocidade contra um guindaste que removia um carro da pista. O tempo chuvoso e a baixa visibilidade foram apontados como as causas do acidente, além de suspeitas sobre falhas no sistema de sinalização da prova.

Em dezembro, foi divulgado um relatório de 396 páginas de um comitê de dez membros escolhidos pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), entre eles o brasileiro Emerson Fittipaldi, bicampeão de Fórmula 1 em 1972 e 1974. "Muitos fatores contribuíram para o acidente, mas nenhum desses fatores o causou sozinho", resumiu o texto.

Jules Bianchi sofreu uma grave lesão no cérebro, ficou internado por um mês no Japão e foi transferido para Nice, sua cidade natal, para ficar mais perto da família. Ele foi o primeiro piloto da Fórmula 1 a perder a vida depois de sofrer um acidente em corrida desde a morte de Ayrton Senna, durante o GP de San Marino, em Ímola, em 1994.