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França se mobiliza pelos cristãos perseguidos no Oriente Médio

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Sinos da catedral Notre-Dame de Paris tocaram ao meio-dia deste sábado (15), em homenagem aos cristãos perseguidos no Oriente Médio. Reuters

 Dia 15 de agosto é feriado na França, dia em que os católicos celebram a Assunção da Virgem Maria. Neste ano, para lembrar o êxodo massivo dos cristãos sírios e iraquianos, os sinos de grande parte das igrejas católicas francesas tocaram ao meio-dia (7h no horário de Brasília). A iniciativa tem o objetivo de lembrar a triste realidade de minorias religiosas perseguidas no Oriente Médio, um ano após a tomada da cidade iraquiana de Mossul pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico e quatro anos após o início do conflito na Síria.


 A iniciativa partiu de um grupo laico de Toulouse, no sudoeste da França. "Não é normal que, na França, a filha mais velha da igreja católica, não tenha se manifestado de forma massiva e popular seu apoio aos cristãos do Oriente Médio", explicou ao jornal Le Figaro uma das organizadoras do movimento, Anne de Ladoucette.

A manifestação foi em seguida abraçada pela diocese de Fréjus-Toulon, no sul do país, dirigida pelo bispo Dominique Rey. "Não foi necessária nenhuma preparação material complexa ou mobilizar fundos. Foi somente um ato de solidariedade", explicou o religioso.

Movimento ganhou reforço no exterior

As principais igrejas francesas atenderam o pedido e tocaram seus sinos ao meio-dia deste sábado (15), entre elas a Notre-Dame de Paris, uma das igrejas mais célebres e visitadas da Europa. Pelo mundo, dioceses de 16 países fizeram coro ao movimento. Igrejas na Espanha, Suíça, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Irlanda e Canadá se integraram à manifestação. A iniciativa também utilizou as redes sociais e ganhou até mesmo uma hashtag, #ChristianBells (sinos cristãos, em inglês).

"Este é um apelo à oração, à amizade, à fraternidade, ao apoio de todas as nossas comunidades a esses irmãos que sofrem perseguições há séculos", declarou o cardeal de Lyon, Philippe Barbarin, em um vídeo postado no início da semana. "Parece-me necessário que nos lembremos que os sofrimentos antigos dos cristãos do Oriente se agravaram há um ano", reiterou o arcebispo de Paris, André XXIII em uma carta aberta.

Em julho, o papa Francisco fez um pedido pelo fim do genocídio dos cristãos do Oriente Médio, denunciando uma "terceira guerra mundial", já que essas minorias vêm sendo progressivamente submetidas a torturas e perseguições.  No último dia 6 de agosto, o Sumo Pontífice voltou a mencionar as perseguições, que classificou como "desumanas" aos cristãos do Oriente, em mensagem à igreja católica jordaniana.

Perseguição piorou nos últimos anos

Cerca de 300 mil cristãos fugiram da Síria desde o início da guerra em 2011. No Iraque, a situação é mais grave. Em 1987, cerca de 1,4 milhão de cristãos eram contabilizados no país; hoje apenas 400 mil resistem às perseguições, intensificadas especialmente com o avanço do grupo Estado Islâmico no território iraquiano. No ano passado, a França acolheu cerca de dois mil cristãos do Iraque.