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França dissolve associações suspeitas de radicalismo islâmico

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Em primeiro plano, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve. Pascal POCHARD-CASABIANCA / AFP

Três associações culturais vinculadas a uma mesquita apresentada como salafista na região parisiense foram dissolvidas nesta quarta-feira (13) pelo governo francês. Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, "não há lugar na República para estruturas que provocam e incitam ao ódio".


Esta é a primeira dissolução de associações ligadas a mesquitas decidida na França depois dos atentados jihadistas de 13 de novembro em Paris. A mesquita em questão, situada na localidade de Lagny-sur-Marne, na região leste da aglomeração parisiense, foi alvo de uma operação de revista policial no início de dezembro e está fechada desde então.

No local, os policiais encontraram uma pistola 9 mm, munições e documentos sobre a "jihad" (guerra santa, em árabe). O ex-responsável religioso da mesquita, conhecido da polícia por sua pregação fundamentalista, fugiu para o Egito em 2014, levando com ele uma dezena de recrutas.  

As associações ditas "culturais" são muito comuns na França. A maioria delas recebe subvenções dos cofres públicos para animar atividades nos bairros. As entidades fechadas se chamavam "Retorno às raízes", "Retorno às raízes muçulmanas" e "Associação dos muçulmanos de Lagny-Sur-Marne". Só que em vez de propor atividades aos membros da comunidade, elas "promoviam uma ideologia radical de incitação à jihad, além de organizar o envio de combatentes para o Iraque e a Síria", de acordo com as autoridades. Os homens que eram recrutados na mesquita, segundo o ministério, primeiro passavam pelo Egito, onde eram "formados" por um imã radical, antes de seguir para a zona de combate sírio-iraquiana. 

A corrente salafista é considerada a mais radical do islamismo. Seus seguidores se encontram nas monarquias sunitas do Golfo Pérsico, principalmente na Arábia Saudita. Os preceitos salafistas são associados ao fanatismo do grupo Estado Islâmico.