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Rabino pede que judeus franceses usem boné para esconder o quipá

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David Berkowitz / Wikipedia

Os recentes ataques contra judeus no sul da França seguem tendo repercussão. Um dia depois de o presidente do Consistório Judaico de Marselha pedir que os membros de sua comunidade deixem de usar o quipá por razões de segurança, outro líder da cidade, o rabino-chefe Réouven Ohana, recomendou, em entrevista à RFI, o uso de “bonés e boinas” para cobrir o símbolo religioso.


Contrariamente ao presidente do Consistório, Zvi Ammar, o rabino de Marselha não concorda em renunciar ao uso do quipá, mas recomenda “discrição”. “Minha posição é clara, trata-se de um ato de liberdade religiosa que temos a sorte e o privilégio de praticar na França e ninguém deveria renunciar a essa tradição”, disse Ohana à RFI.

Ele justificou a posição do outro líder judaico. “Se o presidente aconselhou a não usar é porque considera que, em certas ocasiões, há perigo para os jovens e, principalmente, para as crianças.” Ohana diz que os judeus que quiserem vestir o tradicional chapéu devem fazer de maneira não explícita. “Aos que usam ou colocam nas crianças, recomendo fazer de forma discreta e cobrir com boné, boina ou outro tipo de cobertura”.

Ataque

O líder lembrou que, segundo o texto sagrado da religião, o quipá “não está entre as obrigações mais importantes”. Ele lamentou o aumento da intolerância contra judeus na cidade de Marselha que, segundo ele, sempre foi conhecida por sua diversidade religiosa. “É preciso contornar essa situação, mas sem jamais renunciar às nossas convicções e à liberdade da prática religiosa”.

Na segunda-feira (11), um adolescente de 15 anos, turco de origem curda, atacou com um facão um professor judeu em Marselha. O rapaz reivindicou o ato "em nome de Alá" e da organização Estado Islâmico. A justiça de Marselha abriu uma investigação por "tentativa de homicídio por motivos religiosos" e "apologia ao terrorismo".