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Livro revela que embaixadores franceses ganham mais que Hollande

Por RFI

Na República francesa, uma pequena monarquia reina absoluta. A diplomacia do país, que fez escola no mundo inteiro, resguarda privilégios aos quais nem o presidente tem acesso. O jornalista Vincent Jauvert, da revista francesa L’Obs, investigou as regalias do prestigioso Ministério das Relações Exteriores da França.

A edição desta semana da publicação traz trechos da obra “La Face Cachée du Quai d’Orsay” (“A Face Oculta do Quai d’Orsay”, em tradução livre), como é chamado o ministério que se situa em frente ao rio Sena, a poucos metros do Palácio dos Invalides, em Paris. O livro, publicado pelas edições Robert Laffont, revela um dos maiores segredos da pasta: os salários dos embaixadores. Quase todos ganham mais do que o presidente François Hollande, uma renda que, por se referir a um trabalho no exterior, é quase toda isenta de impostos.

O contracheque de embaixadores nos países de maior risco - Iraque, Afeganistão e Iêmen – é de cerca de € 29 mil por mês, mais do que o dobro do que recebe o chefe de Estado, cujo salário é de € 13,5 mil mensais. Na realidade, nem é preciso ir para muito longe nem correr perigo para ganhar mais do que o presidente socialista. Segundo o livro, o salário do embaixador em Washington é de € 20 mil, o de Londres é € 17 mil e o do Gabão, € 15 mil.

A remuneração de exceção, porém, não é a única vantagem dos ocupantes do Quai d’Orsay. O autor constatou que o ministério é um dos mais resistentes a fazer cortes orçamentários – e o ministro parece ter um poder à parte. O livro conta os hábitos do ex-chanceler Laurent Fabius, que deixou o cargo no início deste ano. “Assim que chega, o chefe da diplomacia francesa governa a casa como um monarca, à base de cartas lacradas – e não é uma figura de linguagem. Às vezes, ele redige suas ordens aos subalternos com feltro negro, em folhas gravadas com o seu nome”, diz o jornalista.

Relação duvidosa com empresas

A obra também detalha a relação “incestuosa” que as embaixadas nutrem com empresas dos países onde estão instaladas. Foi assim que o consulado em Jidá, na Arábia Saudita, teve a reforma bancada por companhias locais, uma conta que chegou a € 520 mil, num momento em que os dois países firmavam uma série de contratos comerciais.

Na China, foi o grupo de bebidas Pernod Ricard quem paga uma parte considerável das despesas do consulado-geral em Xangai, “uma residência sublime de três andares, tombada monumento histórico”. Em troca, a empresa pôde organizar cinco festas por ano no local, gratuitamente. Tal arranjo, observa Jauvert, é sem precedentes na diplomacia francesa.
 

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